Manifestantes protestam contra estupro na Índia

A polícia utilizou gás lacrimogêneo e canhões de água hoje para dispersar protestos em uma zona de segurança máxima na capital da Índia. Os manifestantes pedem um rápido julgamento e penas severas para um grupo de seis homens acusados de estuprar uma estudante de 23 anos em um ônibus em movimento na semana passada.

AE, Agência Estado

23 de dezembro de 2012 | 13h57

A polícia perseguiu com cassetetes os manifestantes mais exaltados, que responderam com pedradas e barras de metal. Eles tentavam chegar à mansão presidencial para apresentar suas exigências. "Nós queremos justiça!", gritava a multidão. Fogueiras foram acessas e veículos da polícia ficaram danificados.

A polícia acusa arruaceiros pelo episódio de violência. "Uma manifestação pacífica do povo foi tomada por arruaceiros", disse Dharmendra Kumar, porta-voz das forças de segurança. Os protestos continuaram neste domingo mesmo após o ministro do Interior, Sushilkumar Shinde, prometer no sábado analisar os pedidos para que os acusados pelo estupro sejam condenados à pena de morte. Ele também disse que o governo está adotando medidas para melhorar a segurança das mulheres no país.

Um grupo de manifestantes conseguiu se encontrar neste domingo com a presidente do Partido do Congresso, Sonia Gandhi, e seu filho, Rahul Gandhi, que é advogado. Enquanto isso, o guru ioga Babar Ramdev fez um discurso em cima de um ônibus e prometeu ajudar os manifestantes. "O governo precisa estabelecer tribunais ágeis para punir aqueles que cometem estupros", afirmou.

O ataque contra a estudante - cujo nome não foi revelado - desencadeou dias de protestos em todo o país. A vítima está se recuperando em um hospital público em Nova Délhi, mas seu estado de saúde é crítico. Seis pessoas, incluindo o motorista do ônibus, foram presas suspeitas de participarem do ataque.

Muitos casos de estupro na Índia não são denunciados, porque as famílias das vítimas se sentem envergonhadas e de alguma forma as mulheres são consideradas "culpadas". Um político do Partido do Congresso no Estado de Haryana, por exemplo, disse recentemente que 90% dos casos de estupro envolvem sexo consensual.

Mais de 570 casos de estupro foram registrados em Nova Délhi no ano passado e cerca de 900 ainda aguardam julgamento somente na capital indiana. As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

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