Juan Karita/AP
Juan Karita/AP

Manifestantes queimam bandeiras da França na embaixada na Bolívia

Protesto foi repúdio ao país europeu que fechou seu espaço aéreo para a passagem do avião de Morales

O Estado de S. Paulo,

03 de julho de 2013 | 13h13

(Atualizada às 17h30) LA PAZ - Centenas de manifestantes queimaram as bandeiras da França e jogaram pedras contra o prédio da embaixada francesa em La Paz nesta quarta-feira, 3, em repúdio ao país europeu, que fechou o espaço aéreo para a passagem do avião do presidente boliviano, Evo Morales, nesta madrugada.

Entre os manifestantes havia civis e indígenas, convocados por organizações ligadas a Morales. Eles chegaram a bloquear a entrada da embaixada com grandes pedras.

A aeronave foi forçada a pousar em Viena, na Áustria, por causa da suspeita de que o ex-técnico da CIA Edward Snowden - que divulgou a existência de programas de vigilância secretos do governo dos EUA - estivesse a bordo. Portugal, Espanha e Itália também fecharam seus espaços aéreos para a passagem do avião boliviano.

O governo boliviano apresentou uma reclamação nesta quarta-feira junto à Organização das Nações Unidas (ONU) e pretende fazer outra à Comissão de Direitos Humanos da instituição contra os quatro países europeus pelo o que considerou uma violação dos direitos internacionais. "Como governo, estamos apresentando reclamações em todo o mundo", afirmou o vice-presidente, Alvaro Garcia.

A União de Nações Sul-Americanos (Unasul) expressou repúdio e indignação com o ocorrido. Um comunicado da chancelaria do Peru, que exerce a presidência do bloco, diz que os países integrantes expressam "sua indignação e profundo repúdio por tais fatos que são atos injustificáveis que, além de tudo, colocaram em risco a segurança do chefe de Estado boliviano e de sua comitiva". A Unasul exigiu o "esclarecimentos dos fatos e explicações necessárias".

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, também exigiu uma explicação sobre o incidente diplomático. "Nada justifica tal ato de desrespeito em relação à mais alta autoridade de um país". O governo boliviano acusou os EUA de ordenar que os países europeus bloqueassem o avião de Morales e acusou os governos europeus de "agressão" por impedir o voo.

Países. Governos da América Latina repudiaram a ação dos quatro países europeus. "O governo do Chile lamenta e repudia a situação à qual foi exposto o presidente da Bolívia", informou o Ministério chileno de Relações Exteriores.

"Definitivamente estão todos loucos. Chefes de Estado e seus aviões têm imunidade total. Não pode haver impudidade", disse a presidente argentina, Cristina Kirchner, em sua conta no twitter, pedindo punição aos países europeus. O governo equatoriano, em nota, afirmou que o caso foi "um desrespeito aos acordos internacionais em matéria de tráfego aéreo, violados de maneira incompreensível por Estados que se comprometeram a respeitá-los."

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi mais enérgico e disse que seu país "responderá a essa agressão perigosa". "Venezuela responderá com dignidade a essa agressão perigosa, desproporcional e inaceitável", afirmou, em sua conta no Twitter.

O governo uruguaio também repudiou o fato, que chamou de "arbittrário e inexplicável". A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, classificou a ação dos países europeus de constrangedora. "O constrangimento ao presidente Morales atinge não só a Bolívia, mas à toda América Latina. Compromete o diálogo entre os dois continentes e possíveis negociações entre eles. Exige pronta explicação e correspondentes escusas por parte dos países envolvidos nesta provocação."

Dilma também citou o desrespeito ao direito internacional. "O noticiado pretexto dessa atitude inaceitável - a suposta presença de Edward Snowden no avião do presidente -, além de fantasiosa, é grave desrespeito ao direito e às práticas internacionais e às normas civilizadas de convivência entre as nações. Acarretou, o que é mais grave, risco de vida para o dirigente boliviano e seus colaboradores."

Respostas. Os EUA afirmaram nesta quarta-feira que não estão envolvidos com a decisão de fechar o espaço aéreo de Portugal, França, Espanha e Itália. "As decisões foram tomadas por países individuais e deveriam perguntar a eles o motivo dessas decisões", disse o porta-voz do Departamento de Estado Jen Psaki.

O presidente da França, François Hollande, afirmou nesta quarta-feira, que o espaço aéreo francês foi liberado para a passagem do avião boliviano assim que ficou claro que o presidente Evo Morales estava a bordo e não Snowden. Segundo Hollande, havia "informações desencontradas" sobre quem estava na aeronave./ AP e EFE

 
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