Manifestantes reagem com fúria a discurso de Mubarak

Líder da oposição, ElBaradei diz que Egito está prestes a explodir e pede intervenção do Exército.

BBC Brasil, BBC

11 de fevereiro de 2011 | 00h30

Após discurso de Mubarak, egípcios mostram o sapato, um ato de desagravo no mundo árabe

Os milhares de manifestantes reunidos na noite desta quinta-feira na Praça Tahrir, no centro do Cairo, reagiram furiosos ao discurso do presidente Hosni Mubarak, afirmando que não deixaria o poder.

Aos gritos de "Abaixo a Mubarak" e "Vá embora", os manifestantes mostravam as solas dos sapatos (ato considerado ofensivo no mundo árabe), em sinal de repulsa ao pronunciamento. Em seguida, milhares de pessoas começaram a se dirigir até o palácio presidencial.

Uma das principais vozes da oposição, Mohammed ElBaradei fez um apelo para que o Exército interviesse. "O Egito vai explodir. O Exército precisa salvar o país agora", afirmou, em uma mensagem via Twitter.

Momentos antes do discurso de Mubarak, o clima na praça era de expectativa e euforia, já que a maioria acreditava em sua renúncia.

Segundo a correspondente da BBC na capital egípcia, Yolande Knell, muitos celebravam - prematuramente - gritando "Derrubamos o regime".

Choro

Logo que perceberam que o discurso de Mubarak era bem diferente do que esperavam, muitos manifestantes começaram a chorar.

No entanto, o clima de tristeza rapidamente se transformou em fúria, segundo Knell.

"Não é o que esperávamos. Vamos continuar o protesto", disse um manifestante exaltado, que se identificou apenas como Nasreen.

O clima tenso deve se intensificar, de acordo com Knell. Ela afirma que os manifestantes já planejavam os protestos de sexta-feira. E muitos gritavam "Amanhã, amanhã", ao deixar a praça.

"As ruas não aturam mais Mubarak. Se ele deixar o país, vai ajudar a acalmar a crise. Se continuar aqui, vai levar os egípcios ao caos", disse o ativista Mustafa Naggar.

"Os planos para amanhã continuam de pé. Milhões de pessoas vão marchar pela Praça Tahrir e por outros locais."

Rumores

As especulações começaram quando o premiê egípcio, Ahmed Shafiq, disse ao serviço árabe da BBC que a permanência de Mubarak no poder estava sendo discutida pelas autoridades do país.

O Exército também havia inflamado as expectativas ao anunciar que se preparava para proteger o país. Segundo a agência de notícias estatal Mena, o alto escalão das Forças Armadas estava se reunindo em sessões contínuas parar "proteger a nação, suas conquistas e as aspirações do povo".

Na Praça Tahrir, um militar chegou a anunciar, usando um megafone, que o presidente iria acatar a demanda dos manifestantes, indicando sua renúncia.

Em seu discurso, Mubarak afirmou que transferirá parte de seus poderes a seu vice, Omar Suleiman, mas não especificou quais poderes exatamente.

Momentos depois, Suleiman também fez um pronunciamento televisionado, no qual disse que os protestos já surtiram resultados no caminho rumo à democracia e que por isso os manifestantes deveriam deixar a Praça Tahrir.

"Jovens do Egito, voltem para suas casas, para seus trabalhos. A nação precisa de vocês para se desenvolver. Não escutem ao que dizem no rádio e na TV. O objetivo deles é apenas manchar a imagem do país", disse o vice egípcio. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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