Manifestantes reduzem bloqueios em ruas de Hong Kong

Manifestantes reduzem bloqueios em ruas de Hong Kong

Centenas de pessoas continuam acampadas pedindo mais democracia enquanto conversas informais ocorrem

O Estado de S. Paulo

07 de outubro de 2014 | 14h57

HONG KONG - Manifestantes pró-democracia em Hong Kong diminuíram os bloqueios em pontos importantes da cidade nesta terça-feira, 7, permitindo o abastecimento de alguns comércios, embora o trânsito tenha continuado desorganizado e as conversas com o governo indiquem ser pequena a possibilidade de uma rápida solução para a situação.

Centenas de manifestantes, na segunda semana de protestos por mais democracia na região, continuam acampados no distrito governamental e comercial.

Os manifestantes liderados por estudantes começaram a liberar o controle de repartições do governo e áreas de comércio na segunda-feira, à medida que conversas preliminares e informais, que devem conduzir a negociações formais, mostraram sinais de progresso.

"Agora temos que esperar para ver essas reuniões", disse Ronald Chan, um universitário recém-formado que era um dos diversos manifestantes no controle de uma barricada no distrito comercial e permitiu que vans de entrega e caminhões de lixo entrassem e saíssem.

"Sabemos que causamos algum inconveniente, mas temos nossos motivos", disse ele. "Esperamos que outras pessoas entendam."

Os protestos Occupy Central, uma ideia concebida há mais de um ano, referindo-se ao distrito Central de Hong Kong, representam para o governo chinês, em Pequim, um de seus maiores desafios políticos desde que reprimiu manifestações por democracia na Praça da Paz Celestial, na capital chinesa, em 1989.

Pequim teme que reivindicações por democracia em Hong Kong possam se espalhar pela China continental, com o país já enfrentando inquietações separatistas no Tibete e em Xinjiang. A liderança do Partido Comunista considerou os protestos de Hong Kong como ilegais e deixou que o líder da cidade, nomeado por Pequim, Leung Chun-ying, encontrasse uma solução.

Na última semana, os manifestantes exigiram que Leung deixasse o cargo e a China permitisse que o povo de Hong Kong votasse em um líder de sua escolha em 2017. O governo da China quer selecionar os candidatos para a eleição.

Após as discussões preparatórias com representantes estudantis na noite de segunda-feira (horário local), o subsecretário de governo para assuntos constitucionais, Lau Kong-wah, disse que os dois lados haviam concordado nos princípios gerais de negociações formais. "Eu acho que a reunião de hoje foi bem-sucedida e houve progresso."

Líderes dos protestos prometeram continuar com as manifestações até que suas demandas sejam cumpridas.

Os protestos ajudaram a diluir quase US$ 50 bilhões do valor de ações negociadas na Bolsa de Valores de Hong Kong. O Banco Mundial disse que as manifestações estavam prejudicando a economia local, embora o impacto na China seja limitado. / REUTERS

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