Evandro Fadel. Com Ap, Efe e Afp, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2010 | 00h00

Pelo menos quatro brasileiros ficaram retidos por mais de 24 horas por manifestantes bolivianos na estrada que dá acesso ao Salar de Uyuni. O deserto de sal é uma das principais atrações turísticas da Bolívia. Há uma semana, porém, centenas de moradores da região, no Departamento (Estado) de Potosí, começaram a ocupar as vias locais para protestar contra a "ação predatória" da mineradora San Cristóbal.

Segundo um dos brasileiros, os manifestantes interceptaram vários ônibus turísticos e outros 90 turistas de diversas nacionalidades também estão retidos no local.

Os manifestantes exigiam ontem a presença do presidente da Bolívia, Evo Morales, para negociar. Eles ameaçavam invadir instalações da empresa e ocupar um posto de fronteira em Abaroa, na divisa com o Chile se o governo não enviasse um negociador "de peso". Até a noite de ontem, porém, os ministros da Mineração e do Meio Ambiente não haviam se pronunciado sobre o tema.

Mais cedo, os manifestantes derramaram seis contêineres com 22 toneladas cada de um concentrado de chumbo, prata e zinco. Os contêineres, pertencentes à mineradora, valiam cerca de US$ 15.400.

Os brasileiros retidos conseguiram se comunicar com a família enviando uma mensagem de celular para um parente nos EUA (Mais informações nesta página). O episódio, porém, não foi tratado como sequestro pelo Ministério de Relações Exteriores brasileiro. E empresas de turismo da região garantiram que a situação estavas "sob controle".

A mina de San Cristóbal é propriedade da companhia japonesa Sumitomo. Ela produz cerca de 1.300 toneladas de mineral de zinco e 300 toneladas de mineral de chumbo por dia, que exporta para o Japão, a Coreia do Sul e a Europa.

A acusações que pesa contra seus diretores, segundo o jornal local El Potosí é a de uso indevido de 600 litros por segundo de água subterrânea, utilizada no processamento dos minérios.

Um estudo do governo boliviano publicado pelo jornal La Razón, de La Paz, confirma que as atividades da companhia estão prejudicando as reservas de água da região. E, no fim de semana, o chanceler boliviano, David Choquehuanca, acusou a empresa de "saquear" minérios bolivianos.

A San Cristóbal, porém, alega que a água que utiliza em seu processo produtivo está a uma grande profundidade, tem um alto grau de salinidade e muitos sedimentos.

"É uma água de qualidade muito ruim e imprópria para o consumo humano ou animal", diz um comunicado da empresa. Ela também assegura que pagou US$ 358 milhões em tributos ao Estado boliviano em dez anos.

Para entender

Salar tem grande reserva de lítio e sódio

Localizado nas regiões de Oruro e Potosí, no sudoeste da Bolívia, o Salar de Uyuni é a maior planície salgada do mundo e uma das maiores reservas de lítio - importante insumo para a indústria eletro-eletrônica - do planeta. A região também possui grande quantidade de sódio potássio e magnésio e abriga a principal rota comercial do Altiplano boliviano, a 3.650 metros de altitude. A infraestrutura, porém, é precária. Em 2008, 13 turistas - 5 japoneses, 5 israelenses e 3 bolivianos - morreram quando duas vans bateram de frente numa estrada ampla e plana no meio do deserto de sal.

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