Manifestantes se retiram da sede do governo na Tailândia

Tropas avançaram em direção aos milhares de manifestantes que estão acampados diante da sede do governo

Efe,

14 de abril de 2009 | 03h07

Os manifestantes opositores ao governo se dispersaram nesta terça-feira, 14, após cercarem por quase três semanas a sede do Executivo da Tailândia, e travar ao longo de dois dias confrontos com as tropas que deixaram dois mortos e 123 feridos.

 

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O fim dos protestos, que buscavam a renúncia do governo de Abhisit Vejjajiva, foi anunciado por seus líderes depois que as tropas cercaram os seis mil manifestantes que permaneciam no último acampamento, situado nos limites da sede governamental.

 

Antes, os principais dirigentes se reuniram perto da sede do governo com o diretor-geral da Polícia, Phatcharawat Wongsuwan, para traçar o plano de retirada, como pôde presenciar o correspondente da Agência Efe no local.

 

Após a reunião, o chefe da Polícia disse à imprensa que os organizadores dos protestos serão acusados formalmente de descumprimento das restrições impostas pelo estado de exceção, declarado em Bangcoc e em outras cinco províncias vizinhas à capital no domingo passado.

 

"Todos os líderes do protesto vão ser acusados, as ordens de captura serão emitidas dentro de algumas horas por uma assembleia ilegal, proibida pelo estado de exceção", disse o general Wongsuwan.

 

No início da manhã desta terça-feira, tropas tailandesas avançaram em direção aos milhares de manifestantes que estavam acampados diante da sede do governo.

 

Exército e Polícia romperam o perímetro de segurança fixado ao redor dos seis ativistas, que se preparavam para uma batalha possível com as tropas.

 

Os soldados, com escudos e cassetetes, pediram aos moradores que não saíssem de casa antes que começasse a operação para dissolver o protesto, enquanto caminhões blindados carregados de tropas foram para o local.

 

Para enfrentar os veículos Humvee e caminhões blindados dos militares, os ativistas ergueram barricadas com árvores arrancadas, incendiaram ônibus e pneus, e guardaram pedras e tijolos.

 

Na noite de segunda-feira (hora local), dois civis morreram após serem baleados pelos manifestantes em uma área próxima ao palácio governamental, e outras nove pessoas ficaram feridas pelos disparos.

 

Durante o dia, as tropas atiraram em várias ocasiões para dispersar os manifestantes espalhados pela parte antiga de Bangcoc, em cumprimento ao estado de exceção.

 

As autoridades reforçaram o controle de estradas, portos e aeroportos para evitar que sejam ocupados pelos opositores, como aconteceu em dezembro com os detratores de Shinawatra, que ocuparam a sede do governo e os dois aeroportos da capital.

 

Os soldados saíram às ruas no domingo em Bangcoc, um dia depois que os protestos forçaram o cancelamento de uma cúpula de líderes asiáticos em Pattaya.

 

A Tailândia vive há três anos uma profunda crise política motivada pela disputa entre partidários e opositores de Shinawatra, deposto por um golpe em 2006.

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