Philip Fong / AFP
Philip Fong / AFP

Manifestantes têm fim de semana crucial em Hong Kong; entenda

A megalópole do Sul da China vive sua pior crise em duas décadas, com manifestações quase diárias

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2019 | 01h57

Hong Kong  - O movimento pró-democracia de Hong Kong tem pela frente um fim de semana crucial, para quando estão convocados novos protestos depois dos violentos confrontos da última terça-feira, 13, no aeroporto internacional, e sob o fantasma de uma intervenção militar chinesa.

A megalópole do Sul da China vive sua pior crise em duas décadas, com manifestações quase diárias. O movimento se transformou em um desafio para o controle de Pequim sobre Hong Kong.

Depois de concentrar tropas na fronteira com Hong Kong, o governo chinês advertiu nesta quinta-feira, 15, que não ficará "de braços cruzados", se o protesto pró-democracia continuar no território semiautônomo.

A mídia estatal chinesa divulgou imagens de soldados e tanques em Shenzhen, a metrópole chinesa que faz fronteira com Hong Kong. Washington alertou Pequim sobre uma ação militar que, segundo especialistas, teria consequências desastrosas em termos de imagem e também economicamente.

Na noite desta sexta-feira, 16, milhares de manifestantes se reuniram em um parque da cidade para uma vigília destinada a pedir sanções internacionais contra os líderes do governo local.

Sem Tiananmen 

O jornal nacionalista chinês Global Times uma rara referência à repressão na Praça Tiananmen, tema tabu na China, para afirmar que uma intervenção armada em Hong Kong não repetirá o massacre de junho de 1989 contra manifestantes civis em Pequim.

O governo em "Pequim não decidiu intervir pela força para acabar com os distúrbios em Hong Kong, mas esta opção - evidentemente - está disponível", destaca o editorial do jornal em língua inglesa.

E, mesmo que o governo decida enviar tropas contra os manifestantes, "o incidente em Hong Kong não será uma repetição do incidente político de 4 de junho de 1989", acrescenta o jornal.

Não há um número oficial da sangrenta repressão na Praça Tiananmen, mas alguns especialistas falam em mais de mil mortos.

Muitas demissões 

Nesta sexta, a Cathay Pacific anunciou a demissão do CEO Rupert Hogg. Isso aconteceu poucos dias depois de o governo da China ter criticado a companhia aérea, porque alguns de seus funcionários apoiaram o movimento pró-democracia em Hong Kong.

Em um comunicado enviado pela Cathay Pacific à Bolsa de Hong Kong, a empresa afirma que Hogg pediu demissão para "assumir a responsabilidade, como líder da empresa, pelos recentes acontecimentos".

Hogg foi substituído por Augustus Tang, executivo do grupo Swire, um conglomerado com sede em Hong Kong que é o principal acionista da Cathay.

Outro executivo da companhia aérea de Hong Kong, o diretor de Atendimento e Assuntos Comerciais Paul Loo, também anunciou sua demissão, alegando as mesmas razões que Hogg, segundo o comunicado.

Na semana passada, a Cathay Pacific provoco a revolta dos nacionalistas chineses, depois que alguns de seus 27.000 funcionários participaram das manifestações pró-democracia em Hong Kong, ou expressaram apoio ao movimento iniciado há dez semanas.

Os diretores de Cathay se apressaram em tranquilizar Pequim e se distanciaram da mobilização pró-democracia, prometendo na segunda-feira demitir todos os funcionários que participaram, ou apoiaram, as "manifestações ilegais". Deste então, a Cathay Pacific demitiu quatro funcionários, incluindo dois pilotos.

Proibições

Os manifestantes organizam uma grande manifestação para domingo com o objetivo de mostrar que o movimento continua a ter grande apoio popular, apesar dos confrontos no aeroporto internacional de Hong Kong. A violência dos confrontos prejudicou a imagem do movimento, que gozava, até então, de grande popularidade.

O movimento promete uma manifestação pacífica, mas o risco de confronto é grande, mesmo que o protesto tenha sido autorizado pela prefeitura. Outras concentrações foram anunciadas para este sábado, 17, apesar de proibidas pelas autoridades.

Depois de não ter falado nada sobre essa situação por semanas, o que o levou a ser acusado de manter uma posição indulgente para com o regime chinês, o presidente americano, Donald Trump, disse estar "preocupado" com o risco de repressão violenta.

A declaração pode piorar ainda mais as relações entre ambos os países, mergulhados em uma guerra comercial. Trump também anunciou que planeja falar em breve com o presidente colega chinês, Xi Jinping, e exigiu que Pequim "resolva o problema em Hong Kong de maneira humana". AFP

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