Kin Cheung/AP
Kin Cheung/AP

Manifestantes voltam às ruas de Hong Kong contra prisão de ativistas

Marcha por liberdade de ativistas pela democracia revive a chamada ‘revolta do guarda-chuva’; apesar de luta pela democracia, região ainda tem forte dominância chinesa

O Estado de S. Paulo

21 Agosto 2017 | 03h33


Cerca de 22 mil manifestantes, segundo a polícia local, marcharam pelas ruas de Hong Kong neste domingo, contra a prisão de três jovens ativistas pela democracia. A caminhada, que rumou até a corte de apelações local, acusou o governo central da China de interferir na decisão do judiciário local, que em tese seria independente. Segundo os organizadores, esta foi a maior passeata desde que começaram a série de distúrbios pela democracia, há três anos.


Os manifestantes carregavam guarda-chuvas, símbolo da luta dos moradores pela democracia, além de faixas com os dizeres “não é crime lutar contra o totalitarismo”. Um dos líderes do movimento, Lester Shum disse que a decisão de manter os ativistas presos mostra que “a conspiração do governo de Hong Kong, do regime comunista chinês e do departamento de justiça para deter as pessoas de Hong Kong de continuar participando da política e de protestar, usando para isso leis e penas cruéis, falhou completamente”. O governo de Hong Kong negou ter sofrido qualquer tipo de interferência no caso.


Na quinta-feira, os ativistas Joshua Wong, de 20 anos, Nathan Law, de 24, e Alex Chow, de 27 anos, foram condenados por organização ilegal – as penas variam entre seis a oito anos de prisão. O caso ocorreu em 2014, quando os jovens se uniram para pedir que Hong Kong estabelecesse o sufrágio universal no território. Com a violenta repressão das forças governamentais chinesas, a ocasião ficou conhecida como “revolta do guarda-chuva”, instrumento usado pelos manifestantes para se proteger do spray de pimenta.


O território de Hong Kong, que desde 1841 era ocupada pelos britânicos, passou ao controle do governo chinês em 1997. Pelo acordo, Pequim prometeu não mudar a estrutura de vida do local por pelo menos 50 anos, mas ainda sim mantém uma estrutura política rígida para o local - que entra em conflito com os desejos dos cidadãos de Hong Kong, que buscavam mais liberdade democrática na ilha. Em 2014, com a recusa do governo local em disponibilizar novas candidaturas, os jovens ocuparam as ruas por 79 dias, atraindo a atenção mundial para a causa. /REUTERS

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