Anne-Christine Poujoulat/AFP
Anne-Christine Poujoulat/AFP

Manifestantes voltam às ruas de Paris e polícia usa gás lacrimogêneo

Protestos contra a violência policial e a lei de segurança de Macron se repetiram em quase 90 cidades do país, unidos a manifestações sindicais contra a precariedade do emprego

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2020 | 13h26

PARIS - Milhares protestaram em Paris neste sábado, 5, para denunciar a violência policial e a lei de segurança do presidente Emmanuel Macron que, segundo os manifestantes, prejudicariam as liberdades civis. Outros atos semelhantes se repetiram em quase 90 cidades do país, unidos a manifestações sindicais contra a precariedade do emprego. 

Em um incidente, a polícia disparou gás lacrimogêneo e reprimiu os manifestantes depois que fogos de artifício e sinalizadores foram lançados em sua direção. Jovens encapuzados atearam fogo em carros e quebraram vitrines de lojas. Houve confrontos violentos entre manifestantes e polícia em um protesto semelhante na semana passada.

Os manifestantes marcharam pela capital francesa sob a vigilância de policiais de choque, agitando faixas que diziam “França, terra dos direitos da polícia” e “Retirada da lei de segurança”.

A França foi tomada por uma onda de protestos de rua depois que o governo apresentou um projeto de lei de segurança no  Parlamento que visava aumentar suas ferramentas de vigilância e restringir os direitos de circulação de imagens de policiais na mídia e online. 

O projeto é parte do esforço de Macron para endurecer a lei e a ordem antes das eleições de 2022. Seu governo também disse que a polícia precisava ser melhor protegida do ódio online. Mas o projeto de lei provocou uma reação pública e da esquerda política.

O espancamento de um homem negro, o produtor musical Michel Zecler, por vários policiais no fim de novembro intensificou a ira pública. Esse incidente veio à tona depois que imagens de um circuito fechado de televisão e de celulares circularam na internet.

Em uma reviravolta no início desta semana, o partido de Macron disse que iria reescrever parte do projeto.

Os críticos disseram que o projeto original tornaria mais difícil responsabilizar a polícia em um país onde alguns grupos de direitos humanos alegam racismo sistêmico dentro das agências de aplicação da lei. Muitos oponentes do projeto de lei dizem que ele vai longe demais, mesmo reescrito.

“Estamos caminhando para uma limitação cada vez mais significativa das liberdades. Não há justificativa ”, disse Karine Shebabo, residente em Paris.

Outro manifestante, Xavier Molenat, disse: “A França tem o hábito de restringir as liberdades enquanto prega sua importância para os outros”.

'Algumas ações violentas', diz presidente 

As manifestações ocorrem em um contexto crescente de críticas ao presidente Macron por promover um atentado às liberdades fundamentais com o projeto de lei, algo que ele negou em entrevista ao meio digital Brut na sexta-feira. 

O presidente reconheceu algumas ações violentas por parte da polícia que considerou "inadmissíveis" e que, segundo ele, serão penalizadas, mas destacou que, em sua maioria, os órgãos policiais franceses atuam com moderação e dentro das normas éticas. 

Macron também admitiu atos racistas na polícia, especialmente nas verificações de identidade, que ele apontou que se concentram mais em pessoas que não são de pele branca, uma frase que lhe rendeu críticas dos sindicatos de polícia./Reuters, EFE e AFP 

 

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