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Manobra eleitoral de Netanyahu pode ter vida curta

Primeiro-ministro israelense precisa do conflito para se apresentar ao eleitor como garantia de segurança

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2018 | 06h00

A antecipação das eleições em Israel para 9 de abril foi uma manobra do premiê Binyamin Netanyahu para tentar sobreviver às denúncias de corrupção. Nem o hesitante procurador-geral Avichai Mandelblit tinha mais como adiar o indiciamento de Bibi nos dois casos em que é acusado de oferecer préstimos a empresários de comunicação em troca de cobertura favorável na imprensa.

Com a antecipação, Bibi confia no “engavetador-geral” para segurar a denúncia, sob o pretexto de não influenciar a campanha. Também confia na oposição fragmentada para sair pela quinta vez vitorioso das urnas. Quer ainda usar a campanha para evitar que o presidente americano, Donald Trump, apresente qualquer arremedo de acordo com os palestinos. Precisa do conflito para se apresentar ao eleitor como garantia de segurança.

Mesmo vencendo, dificilmente Bibi resistirá se for indiciado. Todos se preparam para outra eleição em 2020. O atual premiê será desafiado pelo ex-ministro Gideon Saar em seu próprio partido, por ex-aliados, como o ex-ministro Naftali Bennett, e pelo ex-chefe de Estado-Maior Benny Gantz, político mais popular em Israel, bem relacionado à esquerda e à direita. Para mudar as relações Brasil-Israel, é de Gantz que o presidente Jair Bolsonaro deveria se aproximar.

Atentados de extrema  direita são mais frequentes

Atentados de grupos de extrema direita superam no Ocidente os de qualquer outra ideologia, até mesmo o jihadismo, conclui a edição especial da Perspectives on Terrorism dedicada ao tema. “O terror islâmico e o da extrema direita são dois tipos distintos de ameaça”, escrevem Jacob Ravndal e Tore Bjørgo. “O primeiro é relativamente raro, mas costuma provocar mais mortes, enquanto o segundo é mais frequente, mas em geral resulta em menos vítimas.” Proporcionalmente à população, os atentados da extrema direita na Rússia são cinco vezes mais comuns que nos Estados Unidos e quase nove vezes mais comuns que na Europa Ocidental.

Americanos fazem menos sexo na adolescência

O sexo na adolescência diminuiu nos Estados Unidos nas últimas três décadas, segundo o Centro para Controle de Doenças (CDC). Em 1991, 54,1% haviam tido a primeira relação sexual até o final do ensino médio. Em 2017, 39,5%. Entre os 29% sexualmente ativos, o uso de preservativo caiu do pico de 63%, em 2003, para 54%. Jovens até 24 anos respondem por mais de um quinto dos novos diagnósticos de HIV.

Domínio público crescerá depois de 20 anos

Pela primeira vez desde a última extensão de direitos autorais, milhares de obras americanas entrarão em domínio público este ano-novo. Em 1998, foram liberados textos, imagens e filmes de 1922. Só agora o público será dono das obras de 1923, entre elas desenhos animados do gato Félix, poemas de Robert Frost e a versão muda de Os Dez Mandamentos, de Cecil B. de Mille. O primeiro desenho de Mickey Mouse, Steamboat Willie, motivo que levou a Disney a pressionar pela última ampliação do copyright, é de 1928. Entrará em domínio público em 2024 – se não houver outra extensão até lá.

Apesar da Netflix, bilheterias recordes em 2018

Em 2018, a Netflix cresceu 11% nos Estados Unidos. A venda de ingressos de cinema deverá subir 8%, maior alta desde 2009. O ano trouxe recordes como Pantera Negra (US$ 700 milhões), Vingadores: Guerra Infinita (US$ 679 milhões) e esperanças como Aquaman, Bumblebee e Mary Poppins. As bilheterias se concentraram ainda mais em blockbusters: 36% das receitas virão dos dez filmes mais populares. Em 2009, eram 30%.

O testamento de Charles Krauthammer

Acaba de sair The Point of All, coleção póstuma de escritos do colunista Charles Krauthammer, morto em junho. Conservador dotado de estilo singular e capacidade intelectual invejável, ele lança mão de pensadores como Isaiah Berlin ou G.K. Chesterton para criticar o fascínio por líderes carismáticos como Donald Trump e faz uma defesa apaixonada da democracia.

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