Manobra na Constituição pode ampliar poder de Musharraf

Presidente do Paquistão pode acrescentar emenda antes de finalizar estado de emergência, diz procurado

Efe,

13 de dezembro de 2007 | 11h54

O procurador-geral do Paquistão, Malik Qayyum, disse nesta quinta-feira, 13, que uma emenda será acrescentada à Constituição antes do fim do estado de emergência no país para dar mais poderes ao presidente Pervez Musharraf. O chefe de governo deve decretar o fim da medida neste sábado, 15. Segundo Qayyum, a nova emenda dará "mais poderes" ao general "para atuar contra os juízes da Suprema Corte". Em entrevista ao canal pago Dawn após se reunir com o chefe de Estado paquistanês, o procurador-geral disse que a ordem para encerrar ao estado de exceção, em vigor no país desde 3 de novembro, será redigida nesta quinta, mas só será divulgada sábado. Musharraf dissolveu a cúpula do Supremo, que julgava vários casos contra ele, depois da declaração do estado de exceção. As emendas, segundo Qayyum, permitirão que o general convoque uma nova eleição presidencial até o fim de seu atual mandato, para o qual foi reeleito este ano. Insatisfação popular O presidente paquistanês, no entanto, tem contado com uma crescente insatisfação popular. Uma pesquisa recente indicou que 67% da população desejam sua renúncia. Além disso, 70% dos paquistaneses acham que Musharraf "não merece" ser reeleito, segundo a pesquisa divulgada em Washington pelo Instituto Internacional Republicano, ligado ao Partido Republicano americano. Em cada três paquistaneses, dois se disseram "irritados" com a atual situação política do país, além de desejarem mudanças e se considerarem "anti-Musharraf", enquanto o outro um terço apóia o presidente e considera positiva a evolução do país. Em relação às eleições parlamentares de 8 de janeiro, 30% disseram que votarão no partido da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, enquanto 25% optarão pela chapa do ex-chefe de Governo Nawaz Sharif e 23% pela de Musharraf.A pesquisa também mostra que o partido de Sharif está conseguindo conquistar votos de centro-direita da legenda de Musharraf. A idéia de uma aliança entre o presidente e Bhutto, longe de ser um consenso, é rejeitada por 60% dos paquistaneses entrevistados. No entanto, 58% da população afirmaram que apoiariam uma coalizão entre os partidos de Bhutto e Sharif, junto a outras legendas. Também mais da metade dos cidadãos (56%) acredita que o Exército não deve desempenhar qualquer papel no governo. A pesquisa foi realizada com 3.520 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 1,69 ponto percentual.

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