Manobras do Exército irritam Lugo

Deslocamento de 11 mil brasileiros na fronteira preocupa paraguaios

AFP, EFE, Tânia Monteiro e Denise Chrispim Marin, O Estadao de S.Paulo

23 de outubro de 2008 | 00h00

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, afirmou ontem que os exercícios militares brasileiros na fronteira entre os dois países "despertaram a sensibilidade" paraguaia. "A soberania nacional não foi violada, mas se isto vier a ocorrer, a reação paraguaia não tardará", advertiu Lugo, citado pela Agência EFE. O ministro do Interior, Rafael Filizzola, chamou o exercício de "um atropelo à soberania" e disse ter sido avisado pelo governo brasileiro da iniciativa "na última hora".A polêmica em torno dos exercícios militares surgiu depois que a imprensa paraguaia reproduziu, no fim de semana, uma entrevista concedida em julho pelo general brasileiro José Elito Carvalho Siqueira, comandante das manobras na fronteira, ao site especializado Defesanet na qual afirma que "o Exército brasileiro existe para cumprir qualquer missão em qualquer lugar do território nacional; se o presidente da República determina que uma ação deve ser realizada, ela deverá ser executada". O general Elito se referia a uma hipotética ocupação de hidrelétricas por movimentos sociais. Como o general brasileiro comentou sobre aspectos da segurança da Hidrelétrica de Itaipu em outro trecho da entrevista, o lado paraguaio interpretou as afirmações como uma ameaça de ocupação militar da usina. Lugo qualificou a declaração de "provocação", mas ressaltou que ela "não reflete a posição do governo brasileiro". O exercício brasileiro, com 11 mil homens, começou há dez dias. ''BRASIGUAIOS''Brasília preferiu não alimentar a polêmica com o país vizinho. Hoje, vence o ultimato dado pelos sem-terra paraguaios ao governo de Lugo para expulsar fazendeiros brasileiros de terras que, na opinião deles, seriam destinadas à reforma agrária. "Temos conversado e temos de confiar na palavra do presidente Lugo", disse ao Estado o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. "Eles disseram que respeitariam as leis e fariam tudo, com moderação, evitando problemas maiores."A tensão se dá ao mesmo tempo em que empresários brasileiros chegam amanhã ao Paraguai numa missão da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo para ampliar investimentos, sobretudo no agronegócio, no país.

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