Manobras elevam tensão entre Coreias

Alta temperatura. Conselho de Segurança da ONU reúne-se em sessão de emergência para tentar acalmar os ânimos; Pyongyang ameaça resposta militar, caso rivais do Sul levem adiante exercícios militares em ilha bombardeada pelo Norte no dia 23

, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2010 | 00h00

A expectativa de que a Coreia do Sul realize manobras militares hoje e amanhã na Ilha de Yeonpyeong voltou a elevar ontem a tensão com a Coreia do Norte. Segundo informações divulgadas ontem pela agência de notícias sul-coreana Yonhap, as Forças Armadas de Pyongyang ampliaram o grau de alerta de suas unidades de artilharia de sua costa ocidental, diante da possibilidade de as manobras ocorrerem.

Em meio à intensificação da crise, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) convocou para ontem uma sessão de emergência, na tentativa de encontrar uma solução que evite um confronto armado entre os países rivais. "Acreditamos que o Conselho deve enviar um sinal em prol da moderação e ajudar a começar conversas entre os dois países por meios políticos e diplomáticos", disse Vitaly Churkin, enviado russo à ONU.

O governo da Coreia do Sul não se pronunciou sobre o aumento do alerta norte-coreano, mas vem, até agora, desconsiderando os pedidos para o cancelamento das manobras - vindos principalmente da China e da Rússia. Washington, por sua vez, apoia os exercícios. A data exata da simulação não foi divulgada.

Para a Coreia do Norte, eles devem ocorrer amanhã. Em Yeonpyeong, porém, há rumores de que as manobras ocorram já a partir de hoje. "Estamos considerando as condições meteorológicas", informou à agência Reuters um funcionário do Ministério de Defesa da Coreia, sob condição de anonimato.

A Coreia do Norte já deixou claro que considera os exercícios militares organizados por Seul um "ato suicida" que poderiam desatar um conflito aberto entre os países vizinhos - e reagiria para se defender, se necessário. O governo sul-coreano, por seu lado, havia declarado que usaria meios militares para defender seu território na costa ocidental, caso fosse preciso.

O clima tenso permanece desde o dia 23, quando a Coreia do Norte bombardeou Yeonpyeong, deixando quatro mortos - dois deles, civis.

O ataque foi uma resposta a exercícios militares realizados pela Coreia do Sul - que lançou bombas na direção de suas águas no Mar Amarelo a partir da ilha, localizada a 13 km da fronteira marítima entre os dois países. O governo sul-coreano considerou o ataque uma violação do armistício assinado após a Guerra da Coreia (1950-1953) e acusou os norte-coreanos de terem planejado intencionalmente o bombardeio. O país declarou que, se for atacado outra vez dessa maneira, lançará uma resposta enérgica.

Resposta branda. Para analistas internacionais, é pouco provável que a Coreia do Norte cumpra com suas ameaças. Segundo eles, o país provavelmente responderá às manobras sul-coreanas com exercícios militares semelhantes.

Não é o que acredita o governo chinês. O vice-ministro de Assuntos Exteriores, Zhang Zhijun, declarou que está "profundamente preocupado com a situação, que é precária, complicada e sensível". Segundo ele, Pequim advertiu o governo dos dois países de que um derramamento de sangue poderia levar a "uma tragédia nacional". Apesar de ter apoiado os norte-coreanos na Guerra da Coreia, a China vem se mantendo neutra na crise - e, segundo informações da organização WikiLeaks, desconfia do atual regime de Kim Jong-il.

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