Manobras põem Coreias ''à beira da guerra'', diz Norte

Pyongyang protesta contra exercícios navais de EUA e Coreia do Sul, que começam amanhã em meio à tensão no Mar Amarelo

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2010 | 00h00

Os exercícios militares que Coreia do Sul e EUA realizarão a partir de amanhã colocarão a Península Coreana "à beira da guerra", afirmou ontem a Coreia do Norte, que ameaçou responder com uma "chuva" de artilharia caso sua soberania seja violada.

As manobras que os dois países aliados pretendem desenvolver na região marítima entre a Coreia e a China também foram condenadas por Pequim, que não vê com bons olhos a demonstração de força americana nas proximidades de suas águas territoriais.

Na quarta-feira, a China decidiu cancelar a visita que seu ministro das Relações Exteriores, Yang Jiechi, faria ontem à Coreia do Sul. Oficialmente, a razão apresentada foi a de "problemas de agenda", mas especialistas consideraram o gesto como um protesto contra os exercícios militares nas proximidades da costa chinesa.

Ontem, Yang se reuniu em Pequim com o embaixador da Coreia do Norte e conversou por telefone com a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e com o ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul sobre a situação na região.

Explosões vindas da Coreia do Norte deixaram ontem em alerta os moradores da ilha sul-coreana de Yeonpyeong, atacada na terça-feira pelos norte-coreanos - o bombardeio deixou quatro mortos e foi um dos mais graves conflitos na região desde o fim da Guerra da Coreia, em 1953.

Os tiros disparados ficaram restritos ao território norte-coreano e não atingiram o país vizinho, mas deixaram evidente que a tensão na região está longe de retroceder. O barulho foi escutado enquanto o principal comandante militar dos EUA na Coreia do Sul, general Walter Sharp, visitava a ilha atacada.

A retórica de guerra de Pyongyang provocou nervosismo no mercado financeiro ontem e causou a queda da moeda e da bolsa de valores da Coreia do Sul.

Brasil. A situação da região foi discutida ontem na segunda reunião do Diálogo Estratégico entre China e Brasil, criado em 2007 para trocar visões sobre questões regionais e globais. O representante chinês disse que a prioridade do país é evitar a escalada de violência na Península Coreana, conter os ânimos e promover a retomada das negociações em torno do programa nuclear da Coreia do Norte.

"Os chineses reconheceram que a situação é muito tensa e exige cuidado", disse ontem, em entrevista ao Estado, a representante do Brasil no encontro, a embaixadora Maria Edileuza Fontenele Reis, que é subsecretária-geral de Ásia do Ministério das Relações Exteriores.

Pyongyang acusa Seul de ter iniciado o mais recente confronto na região, com lançamentos que atingiram águas territoriais disputadas por ambos os países. A Coreia do Sul reconhece os disparos, mas sustenta que eles não tinham por alvo a Coreia do Norte.

Principal aliada do regime de Pyongyang, a China não condenou de maneira explícita os ataques de terça-feira, que deram início ao segundo confronto entre os dois lados da Península Coreana neste ano.

Em março, o navio de guerra sul-coreano Cheonan afundou depois de ser atingido por um torpedo, provocando a morte de 46 marinheiros. Investigação feita a pedido de Seul concluiu que o disparo saiu de um submarino da Coreia do Norte, o que é negado por Pyongyang.

O presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, nomeou ontem Kim Kwan-jin como novo Ministro da Defesa do país, em substituição a Kim Tae-young, que renunciou na quinta-feira em razão de críticas pela suposta demora na reação de Seul aos ataques.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.