Manter a rede coesa é desafio de Zawahiri

Egípcio precisa se transformar em um líder crível para manter equilíbrio na Al-Qaeda, dizem especialistas

Yassin Musharbash, O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2011 | 00h00

ESPECIAL: Dez Anos do 11 de Setembro     

 

 

Desde a morte de Osama bin Laden, em maio, especialistas tentam decifrar os desafios do egípcio Ayman al-Zawahiri, seu sucessor. "Ele precisa se transformar em um líder crível e bem conhecido para preservar o equilíbrio interno da Al-Qaeda e se contrapor à impressão de que a rede terrorista é hoje pouco mais do que a reencarnação do grupo egípcio Al-Jihad, que ele comandava", diz Guido Steinberg, do Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança.

 

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"Se ele não for bem-sucedido nisso, a Al-Qaeda será ameaçada pela perda de recrutas potenciais e, mais importante, de dinheiro do Golfo." Para os doadores secretos, a Al-Qaeda seria meramente "um de muitos grupos terroristas". Em outras palavras, a marca estaria seriamente ameaçada.

A especialista em Al-Qaeda, Leah Farrall, do Centro de Estudo dos EUA na Universidade de Sydney, acredita que a maior vulnerabilidade da rede é sua "inércia". Zawahiri precisaria de uma operação espetacular, de preferência um grande ataque, para impedir críticas a suas políticas e prioridades. Desde a morte de Bin Laden, a Al-Qaeda não cometeu nenhum ataque espetacular, apesar de ter jurado vingança.

Farrall acredita que, se a impressão de inércia se fortalecer, algumas facções da Al-Qaeda poderão expressar publicamente seu descontentamento. Poderia resultar daí um conflito entre a nova geração, que quer ação, e a velha guarda, que pede paciência. A disputa poderia chegar a outras regiões onde a rede atua.

Parece certo que o poderoso ramo do Iêmen - conhecido como a Al-Qaeda na Península Arábica - tem muita liberdade de movimento graças ao caos que se instalou no país. Isso é preocupante, já que o grupo tem mostrado desejo e capacidade de operar internacionalmente. Vários ataques com sua assinatura a aviões falharam por pouco. Zawahiri quer continuar a campanha de terror. "Persigam os EUA, que mataram o "Imã dos Mujahedin", atiraram seu corpo ao mar e capturaram sua mulher e seus filhos", disse ele em agosto.

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