Cesar Von Bancels/AFP
Cesar Von Bancels/AFP

Manuel Merino, outro desconhecido assume a presidência do Peru

Com discreta carreira política, parlamentar ganhou destaque este ano, quando conquistou o comando do Congresso

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2020 | 17h01

O chefe do Congresso peruano, Manuel Merino, se tornou nesta terça-feira, 10, o novo presidente do país andino, após a destituição de seu antecessor, Martín Vizcarra, por "incapacidade moral".

Após duas décadas de discreta carreira política, Merino ganhou destaque em 16 de março deste ano, quando assumiu a presidência do Congresso  – no mesmo dia em que Vizcarra declarou estado de emergência e confinamento obrigatório devido à pandemia do coronavírus.

Da presidência do fragmentado Congresso, onde nenhum dos nove partidos representados tem maioria, ele forjou sua liderança em aliança com as bancadas populistas.

Acusado de ter recebido propina para empreitadas de obras públicas em 2014, Vizcarra foi destituído na segunda-feira, 9, por 105 votos a favor, 19 contra e quatro abstenções.

Merino tomou seu lugar porque a vice-presidente peruana, Mercedes Araóz, renunciou ao cargo. O mandato termina em 28 de julho de 2021.

A tarefa de Merino é gigantesca: administrar a pandemia do coronavírus, que devastou a saúde e a economia do Peru, e realizar as eleições presidenciais e legislativas de abril de 2021.

Vizcarra havia assumido o poder como uma pessoa quase desconhecida em 23 de março de 2018, após a renúncia de Pedro Pablo Kuczynski, ex-banqueiro encurralado pelo Congresso devido a denúncias de corrupção.

Naquela época, Vizcarra era vice-presidente do Peru e havia servido como embaixador no Canadá.

"Chefe Provincial"

Um engenheiro agrícola e pecuário de 59 anos, Merino obteve uma cadeira com apenas 5.271 votos nas eleições legislativas extraordinárias de janeiro.

Esta eleição foi convocada por Vizcarra após dissolver constitucionalmente o Congresso em 30 de setembro de 2019.

Merino se tornou chefe do parlamento graças à bancada da Ação Popular, partido de centro-direita do qual faz parte há 41 anos. Ele foi escolhido por ser um dos mais experientes entre os novos legisladores, a maioria estreantes nas ligas principais da política peruana.

Nascido em 20 de agosto de 1961 na região norte de Tumbes, na fronteira com o Equador, Merino foi legislador entre 2001 e 2006, e depois de 2011 a 2016.

Não menos importante foi o apoio que obteve dos legisladores provinciais, fator-chave entre aqueles que criticam o centralismo da política nacional.

“Ele é um típico cacique provincial, um político discreto que foi eleito representante de Tumbes três vezes”, disse à Agência France Press o analista José Carlos Requena.

“Ele não é um cara que se destaca, filiado a um único partido a vida toda, é visto como um político tradicional da velha guarda”, acrescenta.

A cartografia do Congresso, no entanto, levanta questões sobre a força do novo governo. Quatro partidos populistas rivais compartilham o controle de uma aliança complexa. /AFP

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