Manuel Zelaya suspende diálogo com governo interino

Presidente deposto de Honduras não aceita que seu retorno ao poder seja decidido pela Suprema Corte

BBC Brasil, BBC

17 de outubro de 2009 | 11h00

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, suspendeu o diálogo que vinha mantendo com o governo interino para tentar pôr fim à crise política no país.

Em uma declaração feita a partir da embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde está refugiado há mais de três semanas, Zelaya disse ser "desrespeitoso" que a decisão sobre sua volta ao poder seja tomada pela Suprema Corte, como quer o presidente interino Roberto Micheletti, e não pelo Congresso Nacional.

A comissão de negociadores do governo interino disse que as negociações vão continuar mesmo sem o apoio de Zelaya.

O líder deposto defende sua volta ao poder antes das eleições presidenciais, marcadas para o dia 29 de novembro.

Prazo rompido

Na sexta-feira, após mais uma rodada de negociações fracassadas, Zelaya deu mais dois dias para que Micheletti aceitasse a proposta de seus mediadores para que a discussão em torno de seu futuro político fosse tomada pelo Congresso.

Mas, com a recusa de Michelleti, que insiste na participação da Suprema Corte no processo, Zelaya se retirou das negociações.

Segundo Victor Meza, um dos negociadores que apoiam o líder deposto, a proposta de Micheletti é "absolutamente inaceitável".

"É uma proposta absurda", disse Meza.

Apesar de os congressistas terem apoiado a destituição de Zelaya, desde então vêm assumindo uma posição mais neutra, e já disseram que aprovariam qualquer decisão que emergir das negociações.

O mesmo não se pode esperar da Suprema Corte, que ordenou a prisão de Zelaya, no dia 28 de junho, por um grupo de soldados armados. Na ocasião, eles invadiram o Palácio Presidencial, arrancaram-no da cama e o obrigaram a embarcar, ainda de pijamas, para a Costa Rica.

Em um comunicado, Zelaya pediu aos países ocidentais que "aumentem a sanções econômicas contra o regime de fato".

Os Estados Unidos e outros países já supenderam a ajuda que vinham oferecendo ao empobrecido país da América central.

Sanções

Ainda nesta sexta-feira, líderes dos países reunidos na 7ª reunião de cúpula da Alba decidiram impor "sanções econômicas e comerciais" contra o governo interino de Honduras.

Segundo a resolução, o grupo não reconhecerá nenhum processo eleitoral realizado pelo regime de Micheletti ou o resultado do pleito.

O bloco afirmou ainda que convocará reuniões "imediatas e extraordinárias" de organizações como a ONU e a Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) para discutir o assunto.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.