Maoístas são incorporados a Parlamento interino do Nepal

Representantes da guerrilha maoísta do Nepal foram incorporados nesta segunda-feira pelo novo Parlamento interino do país, que iniciou suas sessões com um juramento coletivo liderado pelo deputado mais antigo da Casa. A cerimônia foi observada, da tribuna de convidados, pelo líder guerrilheiro Prachanda, e transmitida ao vivo para toda a nação.O Parlamento bicameral havia sido dissolvido após a aprovação por unanimidade da nova Constituição provisória do país, no final desta tarde.A primeira missão do novo Legislativo, unicameral, será ratificar a Carta Magna, segundo os termos do acordo de paz assinado em novembro entre o governo e a guerrilha, que pôs fim a um conflito de uma década, no qual morreram cerca de 13 mil pessoas."Viemos aqui com uma nova visão e idéias para construir um novo Nepal", disse o porta-voz dos maoísta no Parlamento, Krishna Bahadur Mahara. Os 83 ex-guerrilheiros que se sentaram nesta segunda-feira em suas novas cadeiras de deputados, em uma câmara com 330 assentos, aguardavam desde o meio-dia na porta da Casa, mas a grande cerimônia foi adiada por divergências de última hora, freqüentes neste processo de paz.Informações que vazaram à imprensa indicam que os partidos do governo e os maoístas discordavam sobre quem será o presidente do novo Parlamento.Ainda assim, o grupo entrou na assembléia cumprimentando outros legisladores e acenado para o plenário. Para muitos dos ex-guerrilheiros, esta foi a primeira experiência dentro do Parlamento, longe das florestas e áreas rurais em que os maoístas estavam acostumados a combater. Estava previsto que a aprovação da Constituição provisória e a formação do novo Parlamento ocorreriam de forma paralela ao início do processo de entrega das armas da guerrilha maoísta, mas este será adiado pelo menos até meados desta semana por problemas "logísticos", segundo uma fonte da ONU. Nova ConstituiçãoO presidente do Legislativo, Subash Nemwang, dissolveu o antigo Parlamento na tarde desta segunda-feira, após a aprovação unânime de uma nova constituição. Uma legislatura interina assumiu imediatamente após a dissolução.A constituição, de caráter interino, será mantida até que um assembléia constituinte, que será eleita até o final do ano, prepare uma nova Carta.Conhecidos políticos do país aprovaram o processo. "A adoção de uma nova Constituição e a entrada dos maoístas estabelecerá a paz e a estabilidade no país", disse o parlamentar Sushil Koirala, do Congresso Nepalês, o maior partido político do Nepal.Os ex-guerrilheiros tornaram-se o segundo maior grupo da legislatura. Os ex-guerrilheiros também serão incorporados a um governo interino que conduzirá eleições no final do ano. Os maoístas assinaram uma trégua com o governo no final do ano passado. Os rebeldes combatiam o governo desde 1996, para a formação de um Estado comunistas.

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