Mapuches em greve de fome recebem apoio no Chile

Quatro parlamentares chilenos se uniram ontem a uma greve de fome realizada por 34 índios mapuches presos. Os indígenas afirmam ser prisioneiros políticos e recusam-se a ser tratados como terroristas. Os indígenas exigem que o governo altere leis antiterrorismo que, segundo eles, foram aplicadas injustamente ao caso deles, que reivindicam terras de seus ancestrais.

AE, Agência Estado

10 de setembro de 2010 | 12h44

O presidente chileno, Sebastián Piñera, apresentou ontem uma lei para atenuar o tratamento legal dado aos mapuches presos. Eles, porém, recusam-se a recuar e exigem mais reformas e um diálogo com o governo. A Igreja Católica se ofereceu para mediar o conflito.

Os parlamentares pedem ao governo o início de um diálogo formal com os manifestantes. Os primeiros mapuches presos começaram a fazer greve de fome em 11 de julho, em prisões de Concepción e Temuco. Eles foram posteriormente acompanhados no protesto por detentos de outras cadeias no sul do Chile.

Estimados em cerca de 600 mil pessoas, os mapuches são a maior minoria indígena no Chile, representando perto de 6% da população nacional. Os ativistas indígenas exigem que as duras medidas antiterror da época da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) sejam revistas. A lei prevê que, em casos de terrorismo, seja decretada prisão preventiva e as sentenças sejam triplicadas.

Os ativistas também exigem a posse de suas terras ancestrais, perdidas em um conflito militar do século 19. Essas terras hoje estão na mão de vários fazendeiros e de madeireiras.

Muitos ativistas foram presos durante uma campanha dos índios para tomar propriedades privadas, queimar equipamentos das companhias e confrontos com a polícia em terras que eles alegam ser dos indígenas, na região de Araucanía, 650 quilômetros ao sul de Santiago.

Em 2008, os confrontos resultaram na morte de um indígena. Atualmente, 106 mapuches estão presos, segundo os ativistas. As informações são da Dow Jones.

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