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Maradona volta ao jogo político e declara-se 'cristinista'

Ex-jogador argentino afirmou que a presidente 'trabalha todos os dias para melhorar a Argentina'

Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires,

16 de janeiro de 2013 | 18h17

BUENOS AIRES - "Sou cristinista". Desta forma, o ex-técnico e ex-jogador argentino Diego Armando Maradona definiu sua posição política durante um jantar com empresários compatriotas, que estavam em uma missão comercial do governo da presidente Cristina Kirchner em Dubai. "El Diez", ostentando uma camiseta com a efígie do líder guerrilheiro Ernesto Che Guevara, defendeu o governo alegando que "Néstor e Cristina nos removeram do poço econômico", e criticou a oposição: "eles não são capazes de fazer um ensopado de carne."

Maradona posou para fotos com o cartaz "Clarín mente", alusivo ao Grupo Clarín - principal holding multimídia do país - considerado inimigo por Cristina. O ex-jogador declarou que deseja acompanhar as missões comerciais do governo ao exterior para promover os produtos Made in Argentina.

Depois de jantar com os empresários em Dubai, Maradona foi a Abu Dabi para reunir-se com Cristina. Segundo ele, a presidente "trabalha todos os dias para melhorar a Argentina."

Política

Em 1979, quando era a nova estrela do futebol nacional, Maradona respaldou o general e ditador Jorge Rafael Videla, a quem dedicou a vitória na copa juvenil de Tóquio daquele ano. Dias depois, levou a taça à Casa Rosada, que foi exibida na sacada do palácio presidencial, concentrando a atenção de uma multidão e desviando o foco da visita da missão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que vasculhava os crimes da ditadura.

Um ano depois, Maradona reuniu-se com o general Roberto Viola, a quem pediu um favor pessoal. O pedido não contemplava a liberação de presos políticos, mas sim, que o general desse um jeito para livrá-lo do serviço militar.

Uma década depois, tornou-se ativo militante do peronista presidente Carlos Menem e respaldou suas privatizações. "Meu presidente" era a forma como Maradona chamava Menem, a quem incluiu em suas dedicatórias da autobiografia "Eu sou o Diego". O ex-jogador era habitué da residência presidencial de Olivos e figura constante nas festas de Menem, com o qual jogou futebol em várias ocasiões.

Em 1999, Maradona declarou respaldo à candidatura presidencial de Fernando De la Rúa, da União Cívica Radical (UCR). "Ele é um homem no qual dá para acreditar."

Depois disso, Maradona manteve-se longe da política até que, em 2008, Cristina enfrentou uma grave crise com o setor ruralista. Na ocasião, ele declarou-se a favor dos agricultores e sustentou que havia sido um "golaço" a decisão do vice-presidente Julio Cobos, que também era presidente do Senado, decidir com seu voto de Minerva a derrubada do "impostaço agrário" de Cristina.

Na época, Maradona sustentou que o vice rebelde - execrado pelo kirchnerismo - "representava os argentinos". Um ano depois foi entronizado como técnico com o respaldo do casal Kirchner. Foi nesse momento que se aproximou do kirchnerismo.

Desta forma, ficaram no passado suas declarações de 1989: "não falo sobre política em público. Isso forma parte da coerência que quero impor em minha vida privada."

Fidel e Chávez

A única constância ideológica de Maradona na última década foram as críticas constantes aos EUA e o respaldo ao presidente venezuelano Hugo Chávez e ao líder cubano Fidel Castro. Deste, tem uma tatuagem na panturrilha. Além disso, tem a face de Che Guevara no braço. Há cinco anos, depois que o líder bolivariano especulou em contratar Maradona para liderar a seleção venezuelana, prometeu fazer uma tatuagem com a cara de Chávez, o que não foi feito.

 

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