Ariel Palacios/AE
Ariel Palacios/AE

Marca de cerveja homenageia Perón

Peronismo chega a novo patamar na Argentina

ARIEL PALACIOS, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2011 | 03h05

BUENOS AIRES - Ficar embriagado com o peronismo não é mais uma metáfora. Isso é possível graças a quatro cervejas lançadas na capital argentina. O peronismo, que está presente em todos os âmbitos da sociedade local - em estátuas, murais e ruas -, agora virou bebida em homenagem a Juan Domingo Perón, a Evita e ao casal Néstor e Cristina Kirchner.

O autor da ideia é o empresário Daniel Narezo, militante peronista e sócio do restaurante Perón Perón, que lançou quatro tipos de cervejas. Uma é a Evita, cerveja "loira", tal como a "Protetora dos Humildes", é leve, mas firme.

Outra é a 17 de Outubro, uma malzbier robusta, que homenageia a data em que Perón foi libertado da prisão, em 1945. Trata-se de uma cerveja forte e escura, uma referência à multidão de "cabecitas negras", denominação dos trabalhadores mestiços do norte do país, que aclamou Perón na Praça de Maio.

A terceira cerveja é a Montonera, em alusão à guerrilha da organização Montoneros, grupo da esquerda cristã e nacionalista do peronismo, que abalou o país nos anos 70, e de onde saíram vários dos integrantes do governo atual. A Montonera é uma pale ale com um toque de frutos patagônios, que dão um tom avermelhado revolucionário à bebida.

Para arrematar, em homenagem ao casal Kirchner, a seleção etílica tem a Dupla K, cerveja scotch, extra forte, com 7% de teor alcoólico e tons avermelhados. Narezo diz que ela é "poderosa" e "carregada", o que tem a ver com a "união entre Néstor e Cristina.

O Perón Perón tornou-se, desde sua inauguração, um dos principais centros de reunião da militância kirchnerista e é frequentado por ministros e secretários do gabinete de Cristina.

Além das cervejas, o panteão etílico peronista também conta com o vinho O Justicialista (O Peronista), lançado em março pelo empresário Helmut Ditsch, o artista plástico argentino mais festejado atualmente. O lançamento teve a presença do ministro da Economia, Amado Boudou, vice-presidente eleito.

Os produtores do vinho afirmam que O Justicialista, produzido em Mendoza, tem um definido sabor de "militante e popular", mas, na realidade, é um blend sofisticado de Bonarda, Cabernet Sauvignon, Sangiovese e Syrah.

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