Marcha de Humala termina em pancadaria no Peru

Policiais peruanos usaram gás lacrimogêneo nesta quarta-feira, 4, para impedir a passagem de cerca de mil manifestantes nacionalistas que pretendiam chegar à fronteira chilena, no extremo sul do país, para pressionar o governo a resolver um impasse sobre limites marinhos. O protesto foi convocado por seguidores do ex-candidato presidencial peruano Ollanta Humala, que não pôde viajar porque uma decisão judicial lhe proíbe de dormir fora de Lima. O ex-chefe militar está sendo julgado por violações aos direitos humanos e pela participação em um levante militar de 2005Segundo o líder nacionalista, o objetivo da marcha era pressionar o governo a apresentar à Corte de Haia a posição do Peru sobre a fronteira marítima com o Chile, que segundo Lima está indefinida. Santiago, entretanto, argumenta que o limite foi estabelecido em acordos assinados em 1952 e 1954.Humala, que perdeu as eleições do ano passado para o atual presidente Alan García, afirmou que "há temas da agenda política que são inadiáveis e que será necessário definir como a questão será conduzida com o Chile, se vamos ou não recorrer a instâncias supranacionais".Embora o chanceler peruano, José Antonio García Belaúnde, tenha reiterado que a delimitação marítima segue na agenda bilateral, ele opinou que o ato organizado pelos nacionalistas não era oportuno, dado o momento de calma que vivem as relações entre os dois países.O Partido Nacionalista (PN), de Humala, convocou a chamada "jornada patriótica" às vésperas do aniversário do início da Guerra do Pacífico, que terminou com a vitória do Chile frente à Bolívia e o Peru no final do século 19.No conflito, a Bolívia perdeu sua saída para o mar e o Peru teve parte de seu território arrematado pelo Chile - duas feridas que seguem abertas até hoje. JornadaOs cerca de mil manifestantes se concentraram em um parque na cidade peruana de Tacna, localizada a cerca de 990 quilômetros ao sul de Lima. Munidos de bandeiras peruanas e gritos de "Viva o Peru!", os nacionalistas subiram em 20 ônibus e se dirigiram à fronteira do Chile, 30 quilômetros distante do ponto de saída. O objetivo era chegar ao "marco número um", na chamada linha da Concórdia, ponto que marca a fronteira entre os dois países. No local, os nacionalistas pretendiam içar uma bandeira peruana e cantar o hino nacional. A atitude seria uma resposta às autoridades do norte do Chile, que pretendiam colocar o local sob jurisdição chilena mediante um projeto de lei que foi declarado inconstitucional.Mas o governo peruano havia proibido que os manifestantes ultrapassassem a localidade de El Hospicio, a 12 quilômetros da fronteira. No entanto, quando a caravana estava a cerca de 15 quilômetros do local, a policia bloqueou a passagem. Segundo as autoridades, o motivo da intervenção foi a utilização, por parte dos manifestantes, de ônibus clandestinos, construídos sobre carrocerias de caminhões. Os manifestantes reagiram lançando pedras contra um ônibus da polícia que bloqueava a pista. Para desmobilizar os nacionalistas, a polícia utilizou granadas de gás lacrimogêneo. Segundo a imprensa peruana, um manifestante ficou ferido. Já a polícia informou que três de seus homens saíram machucados. Após o confronto, ao menos 200 manifestantes decidiram prosseguir a marcha a pé.SantiagoEm Santiago, o chanceler chileno, Alejandro Foxley, disse que os "carabineros do Chile (policia nacional) possuem todas as medidas desenhadas e estão absolutamente preparados para impedirqualquer incidente", caso os manifestantes cruzem a fronteira.Ainda segundo Foxley, os dois governos "estão preparados para evitar o que ninguém quer, que é um incidente na fronteira". O Chile já havia anunciado que os manifestantes que ultrapassassem a fronteira seriam detidos e impedidos permanentemente de adentrar o território chileno. Em Lima, Humala criticou a posição do governo peruano. Segundo o líder nacionalista, a "atitude não ajuda no entendimento e compreensão da manifestação e busca colocar um ingrediente de tensão e medo.

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