Marcha pela paz reúne 20 mil na Cidade do México

Manifestantes discordam da estratégia do governo para combater o narcotráfico.

BBC Brasil, BBC

08 de maio de 2011 | 20h45

Mais de vinte mil pessoas se juntaram neste domingo ao final de uma marcha de quatro dias até a Cidade do México para protestar contra a violência causada pelo narcotráfico e a resposta governamental.

O final da marcha ocorreu na praça principal da cidade.

Correspondentes dizem que muitos dos manifestantes acreditam que a decisão do governo de usar os militares contra os cartéis gerou mais violência.

Manifestantes dizem que pretendem iniciar uma campanha de desobediência civil se suas exigências, que incluem o fim do que chamam de estratégia de guerra do governo, não forem aceitas.

Poeta

A marcha começou na quinta-feira na cidade de Cuernavaca, no Estado de Morelos, atravessou dezenas de cidades e vilarejos do país até chegar à capital.

O evento de cerca de 80 quilômetros, que teve a participação de diversas organizações de defesa dos direitos humanos, foi convocada pelo poeta Javier Sicilia, cujo filho foi assassinado há um mês durante um tiroteio ligado ao crime organizado.

Levando cartazes pedindo o fim da guerra mexicana, os manifestantes denunciaram casos de violência que envolvem sequestros, massacres, desaparecimentos, homicídios e, na maioria dos casos, impunidade, de acordo com o jornal mexicano La Jornada.

"Também somos culpados, por omissão, porque não fiscalizamos as autoridades que não cumpriram sua obrigação de garantir a segurança", disse Sicilia.

Presidente

Pouco antes do início da marcha, Sicilia disse ao jornal El Universal que o presidente mexicano, Felipe Calderón, não havia entendido sua mensagem.

"Não estamos contra o governo. Apenas pedimos à classe política e ao presidente que nos ouçam e que entendam que estamos buscando o bem da nação e uma paz com justiça e dignidade", afirmou o poeta.

Na véspera da marcha, o presidente fez apelo convocando a população para que apóie seu luta contra o crime organizado.

"A compreensão e o apoio de toda a sociedade são essenciais, porque algumas pessoas, agindo de boa ou de má fé, estão tentando impedir a ação do governo", disse o presidente em discurso transmitido em rede nacional na quarta-feira.

Ele rebateu críticas ao seu programa de combate à violência, que teve início em dezembro de 2006 e usa o Exército contra os cartéis. Desde então, cerca de 35 mil mexicanos morreram em crimes ligados ao tráfico.

"Precisamos redobrar os esforços porque, caso contrário, eles vão roubar, sequestrar e matar por todo o país."

Além dos 35 mil mortos, a guerra contra e entre os cartéis já obrigou cerca de 230 mil mexicanos a deixar suas casas nos últimos anos, de acordo com uma estimativa da organização IDMC, que monitora deslocamentos internos ao redor do mundo.

Metade dessas pessoas se exilou nos Estados Unidos e o restante, em outras partes do México. Segundo o levantamento, os estados mais afetados são Chihuahua e Tamaulipas, no norte do país, além de Michoacán e Sinaloa, no oeste, onde há forte presença dos cartéis.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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