Marcha reúne 1,2 milhão em Havana

Cerca de 1,2 milhão de pessoas participaram nesta quinta-feira, em Havana, da marcha recorde em comemoração ao 48º aniversário do assalto ao Quartel de Moncada. Liderada pelo comandante-chefe Fidel Castro, a passeata teve início às 8 horas (9 horas em Brasília) em frente ao Escritório de Interesses dos EUA em Cuba, localizado no bairro de Vedado. A marcha teve caráter de protesto contra o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos contra Cuba e pediu a liberdade dos cinco integrantes do partido comunista (Antonio, Gerardo, Ramón, René e Fernando) presos em Miami (EUA), acusados de espionagem pelo governo americano. O governo cubano alega que os mesmos foram detidos injustamente, já que buscavam informações sobre um possível ataque da "máfia" cubano-americana contra o país. Ao longo da semana, casas, hotéis e repartições públicas foram decorados com a bandeira de Cuba e cartazes gigantescos afixados em postes e paredes pediam a liberação dos prisioneiros. Organizada pelo Comitê em Defesa da Revolução, Federação das Mulheres Cubanas e pelas federações dos estudantes Universitários e de ensino médio, a marcha terminou pouco depois das 12 horas. Por volta da 1 hora da manhã começaram a chegar a Havana centenas de caminhões e ônibus de diversas províncias de Cuba. Ao som do hino da Internacional Socialista, idosos, mulheres e crianças se amontoavam pelas ruas da cidade vestindo camisetas com as cores da bandeira cubana (branca, azul e vermelha) que estampavam a foto dos cinco presos políticos, todas com inscrições contra o bloqueio: "Cesse o terrorismo contra Cuba" e "Libertem os heróis que defendem seu povo da morte". Ao som de estridentes alto-falantes, crianças do ensino secundário convocavam o povo para a marcha sempre com as palavras de ordem contra o imperialismo. Para a pedagoga Melva Aguilera, de 84 anos, a marcha pode não mudar muito a situação atual, mas demonstra ao mundo inteiro que os cubanos estão unidos e resistiram juntos. "Todos os impérios do mundo já caíram e esse (dos EUA) terá sua vez", acredita. Estudante do 2º ano de medicina, a maranhense Martínia Gilda Gomes de Souza justificou sua presença na marcha porque se sentiu "comprometida com a questão social do país" onde vive e estuda. Gilda é uma das quinze estudantes do Movimento Sem Terra (MST) que vive em Cuba para concluir os estudos do 3º grau. O estudante de informática Ariel Andez, de 19 anos, acredita que esta é uma batalha de idéias e que o povo cubano está disposto a lutar para que se mantenha o respeito entre as nações.

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