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Há 57 anos, Marcha sobre Washington eternizava discurso de Martin Luther King Jr.

Evento foi mola propulsora dos direitos civis nos Estados Unidos e contou com participação de celebridades

André Cáceres, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2020 | 16h29

Em 28 de agosto de 1963, a Marcha sobre Washington por Emprego e Liberdade reuniu entre 200 e 300 mil pessoas em uma das maiores manifestações da história para pedir igualdade e apoiar causas relacionadas aos direitos civis. O evento foi organizado por Philip Randolph e Bayard Rustin, mas quem mais se destacou foi o ativista político Martin Luther King Jr.

Na ocasião, que completa 57 anos, King entrou para a história com um dos mais emocionantes discursos já proferidos. As quatro palavras que dão nome à preleção — hoje disponível na internet em vídeo, áudio e texto —, “I have a dream”/”Eu tenho um sonho” se repetem várias vezes ao longo do sermão e pontuam seus trechos mais conhecidos. 

“Eu tenho o sonho de que meus quatro filhos cresçam em uma nação na qual eles não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter”, diz uma das orações mais citadas até hoje. Abaixo, confira a íntegra do discurso:

King já era um ativista importante e não foi o único a discursar no evento, mas sua fala é reconhecida como um dos principais fatores que fizeram a Marcha se tornar histórica e alavancar, nos anos seguintes, a aprovação de vários projetos de lei sobre os direitos civis nos Estados Unidos. 

Não por acaso, King recebeu o prêmio Nobel da Paz em 1964 por sua luta pela igualdade racial nos EUA, especialmente pelo fato de sua trajetória ter sido marcada pelo pacifismo e pelo diálogo em uma época de tensões raciais extremamente fervilhantes, em que os Panteras Negras e Malcolm X pregavam o separatismo e usavam de métodos mais incisivos, enquanto King defendia a integração entre brancos e negros.

No entanto, a histórica marcha contou com outros ativistas discursando também. Sindicalistas, sacerdotes, lideranças estudantis e ativistas tomaram o microfone ao longo do dia. Ao todo, dez palestras foram realizadas. Um dos organizadores, Philip Randolph, abriu os trabalhos, seguido pelo líder sindical Walter Reuther; o ativista negro Roy Wilkins, da Naacp (Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor, na sigla em inglês); o líder estudantil John Lewis; a jornalista Daisy Bates; o líder presbiteriano Eugene Carson Blake; o advogado Floyd McKissick, primeiro estudante negro na Faculdade de Direito da Universidade da Carolina do Norte; o ativista pelos direitos civis Whitney Young; o rabino Joachim Prinz, o líder católico Mathew Ahmann, a atriz Josephine Baker e, por último, Martin Luther King Jr.

Ao longo dos discursos que se seguiam, dois agentes do governo Kennedy acompanhavam as falas e tinham acesso a um interruptor que podia desligar seus microfones; mecanismo que não foi acionado. Depois do evento, alguns dos participantes mais proeminentes se encontraram com o então presidente. 

Durante o evento, houve também alguns concertos ao ar livre de músicos importantes, como a cantora gospel Mahalia Jackson, a contralto Marian Anderson e os artistas folk Bob Dylan, Joan Baez e o trio Peter, Paul and Mary. Celebridades como o ator Sidney Poitier, primeiro ator negro a vencer o Oscar (apenas no ano seguinte) e o escritor James Baldwin (que foi impedido de falar no evento) também marcaram presença na marcha, além de Marlon Brando, Judy Garland e Burt Lancaster.

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