Marcha zapatista chega a Querétaro

Após cinco dias de recepções entusiásticas em meio a cartazes e bandeiras empunhadas pela população das cidades por onde passavam, os participantes da marcha zapatista entraram nesta quinta-feira em um território levemente hostil: um Estado mexicano cujo governador chamou o líder rebelde de covarde e deixou claro que os insurgentes não eram bem-vindos em seus domínios. A marcha zapatista de duas semanas, nas quais terá atravessado 12 Estados, iniciou-se nas selvas do Estado de Chiapas e terminará na Cidade do México. A marcha, apelidada de "zapatour" pela imprensa mexicana, enfrentou nesta quinta-feira seu primeiro teste junto a seus adversários. Em uma entrevista publicada no mês passado, o governador de Querétaro, Ignacio Loyola, chamou o líder zapatista subcomandante Marcos de "covarde não confiável" cuja recusa em reunir-se com o presidente Vicente Fox é apenas um pretexto para prolongar o conflito rebelde que já dura 7 anos. Loyola - que pertence ao conservador Partido de Ação Nacional (PAN), de Fox - também se recusou a libertar dois prisioneiros zapatistas que estão detidos em Querétaro, um Estado da região central do México. A libertação de todos os prisioneiros zapatistas é uma das três condições estabelecidas pelos rebeldes para o reinício das conversações de paz com o governo. "Eu realmente não acredito que todos os governadores estejam satisfeitos com a marcha passando por seus Estados", disse Loyola ao jornal mexicano Reforma em recente entrevista. Mas, se alguns habitantes de Querétaro compartilham dos sentimentos de seu governador, nesta quinta-feira eles não demonstraram isso. Cerca de 6.000 simpatizantes dos zapatistas se aglomeraram pela manhã na praça central da capital estadual, Cidade de Querétaro, para saudar a chegada de Marcos e dos 23 comandantes rebeldes que o acompanham.

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