Marchas pró e contra Chávez mobilizam a Venezuela

Partidários do presidente exaltam feitos do chavismo e oposição pede união; Maduro anuncia retorno a Cuba

CARACAS, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2013 | 02h05

Milhares de partidários e críticos do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, tomaram ontem as ruas de Caracas para celebrar os 55 anos do fim da ditadura do general Marcos Pérez Jiménez. Não foram registrados episódios violentos. Enquanto o líder da oposição, o governador de Miranda, Henrique Capriles, pediu união, o vice-presidente Nicolás Maduro, designado por Chávez como seu sucessor, disse que o país caminha rumo à liberdade suprema.

Os opositores reuniram-se em um comício em um ginásio no leste da capital. Por meio de sua conta no Twitter, Capriles comparou o fim da ditadura Pérez Jiménez à atual situação política da Venezuela. "Hoje, mais do que nunca, temos de nos unir. O 23 de Janeiro mostra que podemos conseguir o que queremos quando nos unimos", escreveu. "Hoje, dizemos ao governo que derrotaremos a violência que eles criam. Há 55 anos, a união de venezuelanos de distintas ideologias permitiu o fim da ditadura."

No ato oposicionista, o secretário executivo da Mesa de Unidade Democrática (MUD), Ramón Guillermo Aveledo, leu um manifesto de 12 pontos no qual pediu união e rejeitou a influência de governos externos na Venezuela - uma referência a Cuba, acusada pela oposição de influenciar o chavismo.

Maduro, em um ato no Distrito de Sucre, na capital, exaltou Chávez, que se recupera em Cuba há mais de um mês da quarta cirurgia contra o câncer. "O povo está cansado das traições e Chávez nos ensinou o valor da lealdade. Estamos derrotando a traição histórica que foi feita com o povo venezuelano", disse o vice-presidente, em uma crítica aos partidos tradicionais que comandaram o país durante a Quarta República (1958-1999). "Estamos caminhando rumo ao socialismo, à felicidade e à democracia de verdade." Após discursar, Maduro embarcou para Cuba. Será a terceira visita do vice-presidente à ilha desde que Chávez foi operado.

Com roupas vermelhas, os chavistas marcharam de três pontos distintos de Caracas e se encontraram no bairro de 23 de Enero, um dos principais redutos chavistas da capital e foco de resistência à ditadura de Pérez Jiménez nos anos 50. Inicialmente, líderes opositores pretendiam utilizar a data para uma série de protestos contra a decisão do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) de permitir a continuidade do governo de Chávez, apesar de ele não ter comparecido no dia 10 à posse do novo mandato. Diante da decisão dos chavistas de se manifestarem no mesmo dia, os opositores desistiram de seu protesto. Segundo o ministro das Comunicações Ernesto Villegas não há previsão de um possível retorno de Chávez à Venezuela.

Complô. Ainda ontem, Maduro denunciou a existência de um suposto plano para matá-lo. Outro alvo seria o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, o terceiro na hierarquia chavista. Segundo o vice-presidente, grupos teriam se infiltrado no país com esse objetivo. Horas antes, o ministro do Interior, Néstor Reverol, disse que a segurança dos funcionários tinha sido reforçada em razão da ameaça terrorista por parte de "atores da ultradireita venezuelana em cumplicidade com pessoas do exterior". / EFE, AFP e AP

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