Marco Aurélio defende produção de energia nuclear no Irã

Marco Aurélio defende produção de energia nuclear no Irã

Depois de ressaltar que a questão de sanções contra o Irã não será discutida na Cúpula sobre Segurança Nuclear, a ser realizada em Washington, no início da semana que vem, o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, reiterou que o Brasil defende que o Irã tenha direito de ter energia nuclear para fins pacíficos.

TÂNIA MONTEIRO, Agência Estado

09 de abril de 2010 | 20h34

"A posição que o Brasil defende é clara. Não queremos que o Irã se envolva na produção de armamentos nucleares. Nós queremos que o Irã tenha direito de produzir energia nuclear especificamente para fins pacíficos, como o Brasil, e ponto", desabafou ele, avisando que a posição brasileira não é isolada.

Para Marco Aurélio, essa questão da sanção a ser imposta ao Irã por acusação por causa de produção de armamento nuclear será discutida no momento devido no Conselho de Segurança (CS) da ONU, e as negociações com o conselho ainda prosseguem. Segundo ele, o Brasil não está isolado nesta posição. "O Brasil não é uma voz isolada. Essa é uma percepção equivocada", declarou, acrescentando que esta posição é defendida não só pela Síria e pela Venezuela, mas também pela Turquia e China.

"Eu fico preocupado com o alinhamento que não tem respaldo internacional. Tanto é que as sanções não foram votadas. Se elas fossem claras, transparentes, cristalinas, as sanções teriam sido votadas. Então não nos venham atribuir posições extremistas. Não se trata disso. Nós temos uma posição sensata que faltou nos últimos anos em questões como a do Iraque", atacou Marco Aurélio.

Questionado sobre o fato de a palavra do Irã, de que não está produzindo armamento nuclear não ser confiável, Marco Aurélio ironizou: "O Iraque também era considerado não confiável porque tinha supostamente armas químicas. Aí se invadiu o Iraque, morreram centenas de pessoas, transformaram aquele país em um inferno, em território de terrorista. Portanto, a definição de confiabilidade não é propriedade de um país ou de dois. O presidente Lula (Luiz Inácio Lula da Silva) tem insistido muito que nós temos instâncias multilaterais, que se envolvem na definição dessas questões, e essa instância seria as nações unidas reformada", declarou.

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