Marido de Bhutto afirma que ex-premiê voltará ao Paquistão

Ex-primeira-ministra desiste da idéia de não retornar ao país devido à imposição do estado de emergência

Efe,

03 de novembro de 2007 | 15h53

Asif Ali Zardari, o marido da ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto, desmentiu a informação sobre a decisão de sua esposa não retornar ao país e afirmou que a líder opositora voltará neste sábado, 3, à noite ao Paquistão, segundo a emissora de televisão Al Jazira.  Veja também:Presidente paquistanês suspende Constituição do paísCrise política no Paquistão atinge sua pior fase Depois de golpe em 1999, Musharraf suspende Constituição Rice diz que estado de emergência no Paquistão é 'lamentável' Musharraf nomeia novo presidente da Suprema Corte  A emissora tinha afirmado que Bhutto, que está em Dubai há dois dias, decidiu não retornar ao Paquistão devido à imposição do estado de emergência decretado pelo presidente paquistanês, general Pervez Musharraf. O ex-primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif, exilado na Arábia Saudita, criticou a imposição do estado de exceção e disse que o Paquistão "está caminhando para a anarquia", segundo a imprensa local. As notícias contraditórias sobre o retorno de Bhutto surgem em meio a informações vindas do Paquistão sobre a suspensão pela Suprema Corte paquistanesa da imposição do estado de emergência, e a rejeição pelo governo dessa decisão. Bhutto voltou na quinta-feira a Dubai para visitar a família, duas semanas após ter saído dos Emirados Árabes Unidos para voltar ao Paquistão, após mais de oito anos no exílio. Fontes do Partido do Povo do Paquistão (PPP), dirigido por Bhutto, tinham descartado a volta dela ao país antes de a Corte Suprema anunciar seu veredicto sobre a validade da reeleição de Musharraf para um novo mandato de cinco anos na Presidência. Os rumores sobre a iminente declaração do estado de exceção tinham circulado intensamente nos últimos dias, diante da possibilidade de o Supremo decidir contra Musharraf, o que obrigaria a realização de uma nova eleição presidencial. O Supremo deveria divulgar a decisão nos próximos dias, mas a declaração da nova ordem constitucional interromperá o caso, segundo fontes legais em Islamabad. Bhutto, por duas vezes primeira-ministra do Paquistão, alertou na quarta-feira que, se este fosse declarado, haveria fortes protestos nas ruas. No mesmo dia, a ex-primeira-ministra tinha anunciado que não viajaria a Dubai para visitar a família, devido aos rumores da eventual imposição do estado de exceção no Paquistão. No entanto, no dia seguinte, mudou de opinião e chegou aos Emirados Árabes Unidos. Bhutto retornou ao Paquistão no dia 18 de outubro, após obter uma anistia (sob revisão do Tribunal Supremo) do general Musharraf, o que representa a retirada das acusações de corrupção que pesavam contra ela. Seu retorno ao Paquistão foi marcado por um duplo atentado suicida, poucas horas após sua chegada a Karachi, que matou cerca de 140 pessoas durante o trajeto de sua comitiva.

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