Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal

Marido de brasileira morta está em choque

Solioz viu quando Cristina e uma das filhas foram atropeladas; Suíça ajudará família

Jamil Chade ENVIADO ESPECIAL / YVERDON LES BAINS, SUÍÇA, O Estado de S. Paulo

19 Julho 2016 | 05h00

Sylvain Solioz, marido da brasileira Elizabeth Cristina de Assis Ribeiro e pai de Kayla, de 6 anos, presenciou o momento em que o caminhão usado pelo terrorista em Nice passou por cima de sua mulher e filha. Foi isso o que o suíço relatou ontem a um de seus amigos, por telefone. 

No fim de semana, um exame de DNA identificou o corpo da brasileira que morreu no atentado de quinta-feira. Carioca de Olaria, zona norte do Rio, Elizabeth morava na Suíça havia mais de 20 anos e estava em Nice a passeio com o marido, Solioz, suíço, e três filhas. Kayla, de 6 anos, também morreu no atentado. Djulia, de 4 anos, e Kimea, de 8 meses, foram salvas pelo pai. 

Solyoz e as duas filhas estão internados no hospital da Fundação Lenval, em Nice. Segundo autoridades suíças todos estão “em estado de choque”.

Falando ao Estado, um dos amigos mais próximos do suíço confirma que Solioz está “fora de si”. “Falei com Sylvain por telefone e está transtornado”, disse James. “Ele me disse que, quando o caminhão foi na direção deles, agarrou o bebê de 8 meses e a garota de 4 anos. Cristina pegou Kayla e os dois se separaram. Mas o caminhão foi na direção de Cristina e Sylvain viu a mulher e filha serem atropeladas. Isso nunca mais vai sair da cabeça dele”, disse James. 

“Falamos por um bom tempo e está claro que ele está perdido. Ele me dizia: elas se foram, elas se foram”, disse o amigo suíço. “Fomos vizinhos por muito tempo e quando Kayla nasceu ele pediu que eu fosse o padrinho. Nunca oficializamos nada. Mas o plano era batizar. Não deu tempo”, lamentou. 

O relato de James, que não quis ter o sobrenome revelado, foi feito enquanto a pequena cidade de Yverdon les Bains parou por instantes para prestar homenagem a Cristina e Kayla. Na escadaria da principal igreja do pacato local, um grupo de brasileiros abriu uma bandeira, enquanto crianças da escola de Kayla colocavam velas, flores, pinturas e mensagens. 

Uma após a outra, cada família da cidade deixava uma lembrança. O silêncio se confundia com um sentimento de indignação e incompreensão. Marie Lourdes não se conformava. “Por que eles ?”, dizia, desesperada. “Na semana passada tomamos algo juntas. Cristina só queria se divertir com a família que ela tanto amava. Como é que não pararam o caminhão?” 

Na praça central, amigos contavam como Solyoz e Cristina haviam se conhecido ainda na escola e, depois de deixar o colegial, mantiveram contato. Alguns anos depois, os dois se casaram. “Era uma história genial”, disse Marie.

Tradicionalmente, a família usava as férias de julho para viajar para a costa espanhola. Desta vez, optaram por mudar de destino. “Sylvain já tinha ido muitos vezes para Nice. Mas queria mostrar a queima de fogos para a família”, contou James. Segundo ele, o Solyoz repetiu que se sentia culpado por ter levado a família para ver os fogos do 14 de Julho, na França. 

As autoridades suíças assumiram parte da assistência à família e indicaram ao Estado que vão passar a apoiar financeiramente os sobreviventes e seus parentes.  Solyos é carpinteiro e Cristina era cabeleireira, atendendo clientes em sua casa. 

Mais conteúdo sobre:
FrançaNice

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.