Marine é acusado por liderar massacre de 24 civis no Iraque

O líder de um batalhão do Corpo de Fuzileiros Navais (marines) dos Estados Unidos será réu em 13 casos de assassinato relativos às mortes de 24 civis na cidade iraquiana de Haditha, em um episódio ocorrido no ano passado. A informação foi confirmada nesta quinta-feira pelo advogado do militar. Essa é a maior ação criminal relativa a morte de iraquianos gerada a partir do conflito. O massacre desencadeou uma onda de protestos mundiais contra as forças americanas no Iraque.Ainda assim, trata-se de apenas um dos muitos casos com alegações de má conduta de tropas americanas durante o conflito. Esta é a segunda vez em que oficiais do Corpo dos Fuzileiros Navais são obrigados a participar de uma coletiva de imprensa para dizer que estão acusando um de seus membros. O sargento Frank D. Wuterich foi acusado por 12 assassinatos individuais e por ter ordenado que fuzileiros sob seu comando "atirassem primeiro e perguntassem depois" contra outros seis civis. Segundo os autos de acusação distribuídos por um dos advogados de defesa, Neal Puckett, os marines teriam entrado em uma casa e atirado contra os civis sem fazer perguntas. Puckett rejeita a tese, e alega que seu cliente agiu de forma legal.Wuterich não foi acusado de homicídio premeditado, e pode ser condenado a prisão perpétua. A pena de morte está descarta.Dois outros fuzileiros também foram acusados, disseram seus advogados. Estima-se que ao todo oito fuzileiros serão acusados no mesmo caso. Além das acusações de assassinato, Wuterich também deve ser julgado por ter pedido a um soldado que prestasse falso testemunho.Os militares, que pertencem a uma companhia do 1º Regimento dos Fuzileiros da base de Camp Pendleton, estão sendo investigados desde março.Reação violentaOs iraquianos foram mortos nas horas que seguiram à explosão de uma bomba de beira de estrada na manhã de 19 de novembro de 2005. O artefato, que atingiu uma patrulha dos fuzileiros, matou um marine e feriu outros dois.Após o incidente, cinco homens que se aproximaram da cena em um taxi foram fuzilados. As outras vítimas - que incluem mulheres e crianças - morreram assim que os marines invadiram as casas do vilarejo, lançando granadas e atirando contra tudo o que se mexia.A defesa argumenta que seus clientes fizeram apenas o que foram treinados: responderam a uma ameaça iminente com força legítima. Os marines permaneceram no Iraque durante meses após os assassinatos.O inquérito criminal sobre o massacre em Haditha foi lançado depois da publicação, em março, de uma reportagem sobre o caso pela revista Time. Citando testemunhas e grupos dos direitos humanos, o texto provava que civis haviam sido assassinados no incidente. Inicialmente, o Corpo dos Fuzileiros Navais havia informado que 15 iraquianos tinham morrido na explosão da bomba de beira de estrada. Ainda segundo a versão oficial, outros oito insurgentes teriam sido mortos em uma troca de fogo com os marines. Com a publicação da reportagem, as afirmações foram desmentidas, e relatórios feitos mais tarde confirmaram a morte de 24 civis.

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