Marine promete votar em branco e frustra presidente francês

Sarkozy ainda tinha esperanças de receber apoio da extrema direita para vencer Hollande no domingo

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

02 Maio 2012 | 03h01

Considerada a fiel da balança nas eleições presidenciais da França, a ex-candidata de extrema direita, Marine Le Pen, da Frente Nacional, anunciou ontem que não apoiará nem o atual presidente, Nicolas Sarkozy, nem seu opositor socialista, François Hollande, no segundo turno do pleito, domingo. Fortalecida por 18% dos votos, assediados pelos dois finalistas, a extremista afirmou em comício no Dia do Trabalho que votará em branco.

A jornada de ontem também foi marcada pelo comício gigante de Sarkozy em Paris e pela ausência de Hollande na festa dos maiores sindicatos do país. Le Pen confirmou sua escolha em uma passeata com a participação de 10 mil pessoas realizada até a Praça da Ópera, no centro da capital, onde discursou aos simpatizantes. "Cada um fará sua escolha de acordo com sua consciência, segundo sua sensibilidade", disse. "A título pessoal, eu votarei em branco."

Com a decisão da extremista de não apoiar Sarkozy, o único candidato de direita ainda na disputa, o voto dos 6,4 milhões de eleitores da Frente Nacional passa a ser uma das grandes variáveis da eleição. Satisfeita com seu protagonismo no segundo turno, Marine comemorou a radicalização dos discursos de Sarkozy e Hollande, ambos em busca dos votos da FN. "De 15% a 20% do que eles falam é o que nós falamos. De 30% a 40% de nossas ideias chegarão ao poder."

Sarkozy fez um grande comício na Torre Eiffel, que reuniu 200 mil pessoas, segundo o candidato. "A bandeira vermelha é a de um partido, a tricolor, a da França. Deixem a bandeira vermelha de lado e sirvam a França", declarou. Em meio à batalha de manifestações, Hollande optou por uma posição de "estadista" e preferiu não realizar comícios no Dia do Trabalho para não partidarizar a festa dos sindicatos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.