Marinha americana mudará base em forma de suástica

Polêmica surgiu em 2006 com imagens do Google Earth

Tony Perry, Los Angeles Times, Coronado, EUA, O Estadao de S.Paulo

28 de setembro de 2007 | 00h00

A Marinha dos EUA resolveu gastar US$ 600 mil em urbanismo e modificações arquitetônicas para ocultar o fato de que um de seus complexos parece uma suástica quando visto de cima. Os quatro prédios em forma de L construídos em fins dos anos 60 fazem parte da base anfíbia de Coronado, na Califórnia, e servem de quartel para a unidade naval Seabee.Do chão e do interior de edifícios próximos, a polêmica forma não pode ser vista. Tampouco existem padrões de pouso civis e militares que ofereçam uma visão a passageiros aéreos. Mas, quando as pessoas começaram a olhar as imagens de satélite do Google Earth, elas começaram a comentar em blogs e sites sobre como os prédios lembravam o símbolo usado pelos nazistas.Quando indagados por um apresentador de rádio de Missouri, no ano passado, funcionários da Marinha não tinham nenhuma indicação de que haveria mudanças. Mas, no início deste ano, a questão foi discretamente levantada por Morris Casuto, diretor regional da Liga Antidifamação em San Diego, e pela deputada democrata da Califórnia Susan Davis.Uma conseqüência disso foi que, para o ano fiscal que começa segunda-feira, a Marinha orçou US$ 600 mil para mudanças nas calçadas, urbanização ''''de camuflagem'''' e instalação de painéis solares nos telhados.O objetivo é mascarar a forma dos prédios. ''''Não queremos ser associados com algo tão simbólico e odioso como uma suástica'''', disse Scott Sutherland, vice-diretor para assuntos públicos da Região Sudoeste da Marinha.Autoridades navais dizem que a forma dos prédios, projetados pelo arquiteto local John Mock, só foi notada depois do lançamento da pedra fundamental, em 1967 - e, como não era visível do chão, tomou-se a decisão de não fazer nenhuma mudança.Não se sabe quem primeiro notou a forma pelo Google Earth. Mas um dos primeiros e mais ruidosos defensores de mudanças foi Dave vonKleist, apresentador do programa de rádio do Missouri The Power Hour, que tem um site na internet (www.thepowerhour.com).No início de 2006, VonKleist começou a escrever às autoridades, incluindo o então secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, pedindo previdências. Em agosto de 2006, ele recebeu uma resposta de autoridades em Coronado, que não fizeram nenhuma promessa de mudança e, num comunicado, afirmaram: ''''A Marinha pretende continuar usando os prédios enquanto eles permanecerem adequados às necessidades do serviço.'''' Em dezembro, o hoje desaparecido San Diego Jewish Times escreveu sobre os prédios e a controvérsia. Logo depois, Casuto e Davis entraram em ação.Casuto iniciou um diálogo com o chefe de gabinete do vice-almirante Len Hering, comandante da Região Sudoeste. Ele disse que vários membros da comunidade judaica se haviam queixado. ''''Não atribuo nenhuma motivação perversa a isso'''', disse Casuto, referindo-se ao projeto. ''''Apenas aconteceu. A Marinha foi muito correta em reconhecer o problema. A questão está encerrada.'''' Davis, que é judeu, também elogiou a decisão da Marinha.Durante uma discussão com funcionários militares sobre outras questões, Davis havia mencionado os edifícios de Coronado e sugerido que painéis solares poderiam ajudar a mudar a visão aérea. A idéia teve boa acolhida. A base obtém 3% da eletricidade que consome de energia solar e vem procurando aumentar essa proporção. VonKleist também comemorou a decisão.

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