REUTERS/Marcos Brindicci
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Marinha argentina omitiu informações sobre tragédia de submarino, diz portal

Site de notícias Infobae diz que cúpula naval não divulgou tudo o que sabe sobre o desaparecimento do San Juan e garante que Mauricio Macri só soube do caso pela imprensa

Luiz Raatz, ENVIADO ESPECIAL / MAR DEL PLATA, ARGENTINA

26 Novembro 2017 | 23h00

A Marinha argentina sabia o que havia acontecido com o submarino ARA San Juan, mas escondeu informações. Segundo o portal Infobae, a cúpula naval soube que a embarcação tinha problemas sérios no dia anterior à tragédia. O capitão Pedro Fernández havia informado que uma das baterias sofreu um curto-circuito em razão de um vazamento no snorkel. 

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Por duas vezes, Fernández comunicou à base de Mar del Plata que o problema havia sido solucionado. No entanto, aparentemente, o comando naval subestimou a gravidade da avaria. Às 6 horas de quarta-feira, dia 15, quando navegava em alto-mar na altura do Golfo de São Jorge, o capitão requisitou uma mudança de rumo. 

Neste momento, segundo o Infobae, o submarino estava a pouco mais de 300 km de Comodoro Rivadavia. À velocidade em que estava – entre 15 e 20 km/h –, a embarcação teria chegado em segurança em terra. A ordem, no entanto, foi seguir a caminho de Mar del Plata. 

Em dificuldades em razão do vazamento, o ARA San Juan tinha sempre de emergir para se comunicar com a base. Com mar agitado e ondas de até 8 metros, ele era constantemente golpeado na superfície. Por isso, Fernández teria tomado a decisão de navegar submerso, perdendo a capacidade de propulsão a diesel e com a metade das baterias inutilizadas.

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Três horas depois da última comunicação com a base em Mar del Plata, o submarino explodiu, segundo informações enviadas pela Organização do Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares, com sede em Viena – que tem sensores para monitorar detonações ao redor do mundo. 

Em Mar del Plata, os subcomandantes não consideraram a situação grave. Tanto que o chefe da Marinha, o almirante Marcelo Srur, foi informado apenas na tarde de quinta-feira, dia 16 – mais de 24 horas após o acidente. O ministro da Defesa, Oscar Aguad, e o presidente Mauricio Macri só souberam da tragédia à noite e pela imprensa – o que enfureceu a Casa Rosada. 

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A deputada governista Elisa Carrió disse ontem que o acidente “é um acontecimento irreversível” e a tripulação “está morta”. “O Estado não pode dizer até que tenha certeza absoluta. Mas eu posso”, afirmou Carrió em entrevista ao Canal 13. “Tenho de dizer: estão mortos.”

Onze dias após o acidente, a Marinha argentina ainda não reconheceu a morte dos 44 tripulantes do ARA San Juan. Nete domingo, 26, em Buenos Aires, o porta-voz Enrique Balbi levantou a hipótese de que os marinheiros estejam “em condições extremas de sobrevivência”. “Ninguém pode dizer que o acontecimento é irreversível porque ainda não conseguimos encontrá-los”, disse.

Segundo edição de domingo do jornal La Nación, uma investigação do Ministério da Defesa encontrou “irregularidades” na compra das baterias do ARA San Juan. Especialistas descobriram que, entre 2015 e 2016, a Marinha violou padrões regulatórios e operacionais para o reparo de meia-vida e substituição de baterias. Ao que tudo indica, houve interesse em beneficiar determinados fornecedores e, no processo, foram adquiridos equipamentos com garantias vencidas.

Enquanto isso, as operações de resgate seguiram neste domingo em Comodoro Rivadavia, onde equipes de 14 países participam das buscas. O navio norueguês Sophie Siem finalmente partiu para a área onde o submarino desapareceu. O minissubmarino que buscará a embarcação no fundo do mar se juntará a sete navios que vasculham a região. 

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