Marinha de Israel intercepta navio líbio que seguia para Gaza

Cargueiro com cerca de 2 mil toneladas de alimentos e remédios se dirigiu para o Porto de El-Arish, no Egito

Gustavo Chacra, correspondente em Nova York, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2010 | 00h00

Um novo navio com ajuda humanitária para a Faixa de Gaza foi interceptado na madrugada de hoje por quatro navios de guerra da Marinha de Israel. O cargueiro, patrocinado pela fundação de Saif Kadafi, filho do ditador líbio, Muamar Kadafi, foi desviado para o Porto de El-Arish, no Egito. A informação foi confirmada pelo diretor executivo da Fundação Kadafi, Yussef Sawani.

Inicialmente, os líbios haviam negado o desvio de rota e insistido que o navio seguia rumo a Gaza para romper o bloqueio israelense ao território palestino. "O cargueiro não se dirige ao Porto (egípcio) de El-Arish. Ele mantém sua rota para Gaza", havia dito Sawani, horas antes.

Em condição de anonimato, um funcionário da inteligência egípcia, porém, confirmou que o Cairo já tinha recebido uma solicitação do capitão da embarcação para atracar no porto mediterrâneo. "O barco líbio atracará amanhã (hoje) pela manhã em El-Arish, onde receberá autorização das autoridades egípcias para descarregar seus suprimentos."

Até o último momento, as autoridades israelenses foram cautelosas em confirmar as informações por suspeitar que qualquer anúncio vindo do navio líbio pudesse ser uma manobra para a despistar a Marinha de Israel.

Ao todo, o navio levaria 15 ativistas, 12 tripulantes e cerca de 2 mil toneladas em alimentos e remédios. O governo israelense divulgou ontem um comunicado afirmando que "não há nenhuma necessidade de um novo navio para Gaza, que está aberta a todos os bens civis, um fato conhecido pelo governo da Líbia".

Segundo Israel, desde o dia 20, quando o bloqueio foi amenizado, é permitida a entrada de 15 mil toneladas de suprimentos por semana. A ajuda vinda da Líbia equivaleria a menos de um dia do permitido por Israel.

A ajuda levada aos palestinos, de acordo com Israel, poderia ser desembarcada no porto de Ashdod e, depois de inspecionada, levada para Gaza.

Em maio, nove pessoas foram mortas quando uma flotilha com ajuda tentou furar o bloqueio imposto por Israel ao território palestino. Alguns produtos que supostamente poderiam ser usados para fabricar armas ainda são proibidos de ingressar em Gaza.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.