EFE/ Anne Aquilina
EFE/ Anne Aquilina

Marinha de Malta recupera controle de navio sequestrado por imigrantes

Grupo pequeno de homens havia tomado o controle da embarcação que os resgatou porque não queria voltar à Líbia; cinco foram presos e o restante dos 108 imigrantes foi resgatado

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2019 | 10h19

VALETA - O navio petroleiro "Elhiblu 1", desviado por imigrantes que foram resgatados e não desejavam retornar para a Líbia, foi recuperado por oficiais da Marinha maltesa durante a noite e chegou nesta quinta-feira, 28, a Malta

Com 52 metros de comprimento e bandeira da República de Palau, na Oceania, o navio havia socorrido 108 imigrantes na terça-feira 26 à noite e seguia para Trípoli. Mas quando se aproximava da cidade líbia, subitamente deu meia-volta e passou a seguir no sentido norte.

O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, afirmou no momento que não eram náufragos e sim "piratas" que estavam a bordo da embarcação. Ele advertiu que não autorizaria a entrada do navio em águas italianas caso seguisse para as costas sicilianas de Lampedusa ou Sicília.

O petroleiro seguiu rumo a Malta e a Marinha do país entrou em contato com o capitão quando estava a 30 milhas da costa. "O capitão repetiu diversas vezes que não tinha o controle do navio e ele e a tripulação estavam sob a ameaça de um determinado número de migrantes, que exigiam a viagem até Malta", informou a Marinha em um comunicado.

Não se sabe quantos imigrantes estavam por trás do sequestro do navio, mas, segundo o jornal Times of Malta, deve se tratar de um grupo pequeno, de cinco homens. O jornal acrescenta que as autoridades do país vão investigar desde já o ocorrido para punir os responsáveis pelo primeiro sequestro por parte de migrantes para impedir o retorno à Líbia. Segundo testemunhas, não foram usadas armas na ação.

Um barco patrulha da Marinha de Malta impediu a entrada do petroleiro em águas territoriais maltesas e um comando das forças especiais, apoiado por navios e um helicóptero, subiu a bordo "para devolver o controle da embarcação ao capitão" e escoltá-lo até Malta, disseram fontes militares.

Resgate e prisão.

Escoltado pela Marinha de Malta, o navio petroleiro chegou nesta quinta-feira ao porto de Valeta às 8h30 (4h30 pelo horário de Brasília). A polícia maltesa prendeu cinco homens, que devem enfrentar acusações de uso da força para tomar o comando do navio e e mudar seu curso, explica o jornal Times of Malta

O restante dos imigrantes, entre eles 12 crianças e 19 mulheres, foi desembarcado e colocado em ônibus, disse uma testemunha.

"Esta é uma clara demostração de que não estamos diante de operações de socorro de pobres náufragos que fogem da guerra, mas de tráfico criminoso de seres humanos", afirmou Salvini na quarta-feira 27.

A ONG alemã Sea-Eye, cujo navio Alan Kurdi estava na terça-feira 26 na zona de socorro próxima da Líbia, informou ter ouvido o diálogo entre um avião militar europeu e o capitão, antes e depois da operação de resgate. "O capitão resgatou as pessoas e pediu ajuda. Ele afirmou claramente no rádio que as pessoas estavam em choque e não desejavam ser levadas de volta à Líbia", indicou a Sea-Eye em um comunicado.

Paralelamente, outros imigrantes foram socorridos e levados de volta à Líbia na quarta-feira pela Guarda Costeira do país africano, informaram Salvini e a Sea-Eye. Não foram divulgadas as nacionalidades dos imigrantes. Eles aparentavam estar muito cansados ao desembarcar e foram atendidos por médicos de Malta.

Prática antiga.

Há vários anos os navios comerciais que circulam perto da Líbia são requisitados para socorrer os imigrantes. 

Mas como agora a Líbia coordena as operações, a orientação do governo para os navios que fazem esses salvamentos é rumar em direção a um porto do país, o que causa desespero entre os imigrantes, já que muitos arriscam a própria vida para fugir e temem retornar aos flagelos que tentam deixar para trás. 

Em várias ocasiões, os imigrantes que foram escoltados de volta à Líbia se negaram a descer, sendo retirados à força das embarcações pelas autoridades líbias. / AFP e REUTERS

 

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