EFE
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Marinha de Mianmar resgata 208 imigrantes ilegais no mar

Segundo militares, todos seriam cidadãos de Bangladesh que tentariam chegar à Malásia e Indonésia para receber ajuda das Nações Unidas; diplomata dos EUA contesta versão oficial

O Estado de S. Paulo

22 de maio de 2015 | 12h04

YANGON, MIANMAR - A Marinha de Mianmar afirmou nesta sexta-feira, 22, que resgatou um barco com 208 imigrantes que seriam cidadãos de Bangladesh que tentavam chegar até a costa da Malásia e da Indonésia, onde se passariam por muçulmanos da etnia rohingya - uma minoria que vive em condição de apátrida, pois o governo do país rejeita reconhecê-los - para conseguirem ajuda humanitária das Nações Unidas.

Em resposta a declaração da autoridades de Miamar, um funcionário do alto escalão do governo dos EUA afirmou que a maioria dos cerca de 3.000 imigrantes que já foram resgatados são rohingya que fugiram em razão da condições desesperadoras nas quais viviam no Estado de Rakhine, no leste de país.


De acordo com estimativa da Agência da ONU para Refugiados (Acnur) divulgada nesta sexta-feira, cerca de 3.500 imigrantes continuam em barcos que vagam em alto mar com baixos estoques de suprimentos, enquanto os países da região se recusam a recebê-los.

Segundo uma nota divulga pelo governo do Estado de Rakhine, a Marinha encontrou dois barcos na quinta-feira, mas em apenas um deles foram localizados imigrantes ilegais. "Um tinha cerca de 200 bengalis", diz o texto, que qualifica os imigrantes com o termo que o governo de Mianmar usa para designar os imigrantes ilegais de Bangladesh. "Todas as pessoas no barco eram de Bangladesh. Eles serão deportados", afirmou o secretário-executivo do governo de Rakhine, Tin Maung Swe. Até o momento, o governo de Bangladesh não se pronunciou sobre a suposta origem dos imigrantes ilegais localizados por Mianmar.

Mianmar tem sido amplamente criticado pela comunidade internacional por não tomar todas as medidas necessárias para ajudar os imigrantes que estão à deriva. O vice-secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, que visitou o país na quinta-feira e nesta sexta, pediu que o governo do país tome medidas contra a discriminação racial e religiosa que, para os EUA, são um dos principais motivos da atual crise imigratória no sudeste da Ásia.

"A maioria desses imigrantes são, de fato, do Estado de Rakhine. São cidadãos Rohingya que fugiram em razão da condições de vida que tinham", afirmou Blinken. / REUTERS e EFE

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