Sergey Ponomarev/The New York Times
Sergey Ponomarev/The New York Times

Marinha de Mianmar resgata barco à deriva com 727 à bordo

Embarcação aguardava em águas tailandesas desde março por traficantes que a levasse para a Malásia; ao menos 50 morreram

O Estado de S. Paulo

29 de maio de 2015 | 16h53

YANGON, MIANMAR - A Marinha de Mianmar apreendeu nesta sexta-feira, 29, um barco à deriva com 727 pessoas à bordo, uma semana após a descoberta de outra embarcação em situação semelhante com mais de 200 migrantes supostamente vindos de Bangladesh.

Entre os refugiados estão pelo menos 45 crianças e 74 mulheres identificados como "bengalis", nome usado pelo governo de Mianmar para se referir aos migrantes de Bangladesh e integrantes da minoria muçulmana rohingya, perseguida no país.

"A Marinha de Mianmar está transportando o barco para sua base na ilha de Hainggyi", disse Tun Kyaw Kyaw, vice-diretor-geral da Divisão Ayeyarwady do governo, responsável pela região onde a base está localizada.

Oficiais de Mianmar informam que os passageiros do barco aguardavam desde março que traficantes de pessoas os buscassem nas águas tailandesas e os levassem para a Malásia. A espera durou até abril, quando ninguém apareceu para resgatá-los e eles decidiram voltar para Mianmar. Pelo menos 50 pessoas morreram durante esse período.

Fotografias postadas na página do Facebook do Ministério da Informação mostraram diversos homens amontoados no deck, enquanto oficiais uniformizados - um deles com um rifle - vigiavam os imigrantes. As mulheres podiam ser vistas nas cabinas da embarcação.

Mais de 4 mil migrantes chegaram de barco a Mianmar, Malásia e Indonésia desde março, quando a Tailândia iniciou o combate ao tráfico de pessoas. A estimativa é de que mais 2.600 migrantes ainda estejam à deriva no mar da costa sul de Mianmar.

De acordo com dados divulgados pelo Agência da ONU para Refugiados (Acnur), cerca de 25 mil pessoas deixaram Bangladesh e Mianmar por via marítima em direção à Tailândia, Malásia e Indonésia no primeiro trimestre de 2015. 

Uma reunião realizada nesta sexta-feira na Malásia para combater o problema contou com a participação dos Estados Unidos, Japão, da Acnur e da Organização Internacional para Migração. O governo de Mianmar não admitiu que o tratamento dado aos rohingya é a causa do problema.

Durante o encontro, os países aceitaram que os Estados Unidos realizem voos partindo da Tailândia para procurar por navios com refugiados perdidos no mar. / AP, REUTERS e EFE

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