Marinha francesa captura 11 piratas somalis

Corsários foram rendidos em navio de suprimento usado para dar infraestrutura aos sequestros no Índico

AE-AP, Agencia Estado

15 de abril de 2009 | 13h28

A Marinha francesa atacou nesta quarta-feira, 15, um navio de suprimento utilizado por piratas somalis que atuam no Golfo de Áden e deteve 11 suspeitos. A ação ocorreu na costa do Quênia. A notícia vem à tona num momento em que a atuação de piratas e a reação de diversas marinhas provoca tensão em um dos mais importantes corredores de navegação do planeta. Os piratas somalis costumam usar essas embarcações de suprimentos para transportar lanchas rápida até alto-mar e reabastecê-las enquanto novos ataques são planejados.

 

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As forças francesas promoveram o ataque à embarcação de suprimento durante a manhã, depois de ter passado a madrugada observando os piratas. Um helicóptero de vigilância havia identificado a embarcação pirata na terça-feira, informou o Ministério da Defesa da França por meio de um comunicado. A ação frustrou um plano de ataque pirata contra um navio de bandeira liberiana, prosseguia a nota. A embarcação pirata foi interceptada a 900 quilômetros da cidade queniana de Mombaça.

 

Enquanto isso, piratas somalis lançaram granadas e dispararam com armas automáticas contra um cargueiro norte-americano que levava auxílio alimentar. A embarcação conseguiu escapar do ataque nesta quarta-feira e seguiu para o Quênia, escoltada pela Marinha dos Estados Unidos, informaram funcionários.

 

O presidente dos EUA, Barack Obama, pediu o fim dos ataques piratas e, além disso, cinco piratas morreram recentemente durante missões de resgate dos EUA e da França. Apesar disso, os piratas capturaram quatro navios e fizeram 75 reféns no Chifre da África, desde a dramática operação de um capitão norte-americano no domingo. "Nossos mais recentes sequestros buscam mostrar que ninguém pode nos impedir de proteger nossas águas do nosso inimigo, porque acreditamos em morrer por nossa terra", disse o pirata Omar Dahir Idle por telefone, falando do porto somali de Harardhere.

 

A tripulação americana do Liberty Sun não foi ferida no mais recente ataque, mas a embarcação sofreu alguns danos, segundo a empresa proprietária, Liberty Maritime Corp. O ataque impediu a reunião do capitão Richard Phillips, resgatado no domingo, e sua tripulação de 19 homens. Phillips estava no USS Bainbridge, que teve sua rota alterada para escoltar o Liberty Sun.

 

Antes, Phillips planejava se reunir com a equipe no porto queniano de Mombaça, para depois voltarem juntos para os EUA. O capitão se ofereceu como reféns para os piratas, a fim de salvar sua tripulação. Ele foi resgatado em uma operação na qual atiradores de elite mataram três piratas.

 

Este ano, os piratas já atacaram 79 navios e sequestraram 19 deles. Atualmente, mantêm 17 embarcações, com mais de 300 reféns de mais de dez nacionalidades diferentes. Um porta-voz do Programa Mundial de Alimentação da ONU informou que parte da carga do navio atacado seguirá para a Somália. O funcionário se disse preocupado, pois havia mais alimento em outro cargueiro, capturado por piratas na terça-feira, o libanês MV Sea Horse, capturado na terça-feira.

 

Aproximadamente a metade dos 7,2 milhões de habitantes da Somália dependem de auxílio alimentar. O Programa Mundial de Alimentação tem usado escoltas desde novembro de 2007 para impedir ataques. No ano passado, a iniciativa da ONU enviou 260 mil toneladas para os somalis, atingidos pela seca e pela violência. Aproximadamente 90% desses alimentos chegam por via marítima, já que o transporte aéreo fica muito caro e nas rodovias há muitos problemas com roubos.

 

Geralmente a ajuda alimentar segue até o porto de Mombaça, onde a carga é dividida em embarcações menores e segue para a Somália O navio libanês capturado na terça-feira não estava contratado pelo Programa Mundial de Alimentação, mas trabalharia para esse projeto quando chegasse a Mombaça, pois seria carregado com alimentos. O Golfo de Áden, que liga o Canal de Suez e o Mar Vermelho ao Oceano Índico, é a rota mais próxima entre a Ásia e a Europa e uma das mais movimentadas do mundo.

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