Marinheira ´admite´ que britânicos invadiram águas do Irã

A TV iraniana divulgou nesta quarta-feira, 28, um vídeo com uma entrevista e uma carta escrita pela marinheira Faye Turney, única mulher entre os 15 marinheiros e fuzileiros navais presos pelo Irã na semana passada. No depoimento, ela "admite" que os militares britânicos estavam em águas iranianas quando foram presos. A divulgação das imagens, que também mostraram outros marinheiros e fuzileiros detidos pelo Irã, parece ter acirrado a crise diplomática entre o Irã e o Reino Unido, horas depois de Londres ter anunciado que cancelaria todos os contatos com Teerã. Autoridades britânicas criticaram a veiculação, e disseram suspeitar que a militar tenha sido coagida pelos iranianos.Nas imagens, os marinheiros e fuzileiros aparecem vestindo uniformes e comendo em pratos de plástico. Eles estão em uma sala e aparentam estar em boas condições.Na carta mostrada pela TV Al-Alam, e que será enviada para a família da marinheira no Reino Unido, Faye explica como foi a prisão do grupo e diz que todos foram tratados com respeito e humanidade. "Nós estávamos em um barco quando fomos detidos por forças iranianas, porque teríamos aparentemente entrado em águas iranianas", diz a carta. "Eu gostaria que não, porque assim estaria em casa com vocês agora", acrescentou. "Eu sinto muito que aconteceu, porque sei que não estaríamos aqui se não tivéssemos (entrado)", disse na carta manuscrita. Em outro trecho da carta, a militar disse que os iranianos são todos "amigáveis, hospitaleiros e cuidadosos". Faye afirmou ainda que escreveu uma carta ao povo iraniano pedindo desculpas por terem invadido suas águas. "Espero que não demore muito para que volte para casa para preparar a festa de aniversário de Molly (filha de três anos) e leve a ela um presente dos iranianos."EntrevistaJá na entrevista concedida à rede de TV, a marinheira afirma que os militares britânicos "sem dúvida" entraram em águas territoriais iranianas. Faye aparece com um véu preto na cabeça e fumando um cigarro. As imagens foram transmitidas por satélite para todo o Oriente Médio.De acordo com o chanceler iraniano, Manouchehr Mottaki, Faye, de 26 anos, deverá ser libertada entre quarta e quinta-feira. "A moça será libertada muito em breve", afirmou à emissora britânica BBC. A militar tem uma filha de três anos com um oficial da Marinha. Sua função era pilotar o barco que fazia a patrulha no Golfo Pérsico. Restrições inglesasMais cedo nesta quarta-feira, o Reino Unido anunciou que irá suspender todas as viagens oficiais entre os dois países e cortará a emissão de vistos a autoridades iranianas até que os militares detidos sejam soltos.A decisão, que ampliou as tensões entre os governos de Londres e Teerã, coincidiu com a divulgação de coordenadas de satélite pelo Ministério da Defesa britânico que comprovariam que os marinheiros e fuzileiros navais foram detidos ilegalmente em águas territoriais iraquianas A suspensão de todas as conversas bilaterais foi anunciada pela ministra de Relações Exteriores britânica, Margaret Beckett. Segundo ela, as medidas incluem o cancelamento de todas as viagens oficiais entre o país e o Irã e um embargo na emissão de vistos a autoridades iranianas.InvasãoAntes do anúncio do congelamento dos contatos, funcionários britânicos tentaram provar mais uma vez que a embarcação do Reino Unido estava em águas iraquianas, e não iranianas, quando foi capturada.Segundo o Ministério da Defesa, o governo iraniano mudou de domingo para segunda as coordenadas relativas ao posicionamento a lancha interceptada fornecidas ao governo britânico, o que comprovaria a má intenção das autoridades de Teerã.De acordo com o vice-almirante Charles Style, as coordenadas fornecidas pelo governo iraniano no domingo mostravam a embarcação britânica em águas iraquianas. Posição iranianaAinda assim, o Irã manteve as posições que vinha sustentando. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, negou a informação. "Isso não é verdade. Aconteceu em águas iranianas", declarou.Em um comunicado divulgado à imprensa, o governo iraniano também divulgou sua versão para as coordenadas de satélite do local da abordagem. "O Irã já providenciou as coordenadas geográficas do local de detenção ao governo britânico, e tem evidências suficientes, incluindo dados de GPS, que indicam uma penetração de 0,5 quilômetros em águas iranianas", diz a nota.Mas o ministro iraniano demonstrou a possibilidade de saída diplomática, sugerindo que a alegada entrada do grupo britânico em águas iranianas pode ter sido um engano. "Isso foi uma violação que simplesmente aconteceu. Foi natural e eles não resistiram", afirmou.Texto ampliado às 18h18

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