Marinheiro britânico reconhece invasão de águas iranianas

A exibição da entrevista de um dos militares britânicos detidos pelo Irã, em águas do Golfo Pérsico, está a um passo de complicar ainda mais a negociação entre os diplomatas dos dois países. A televisão estatal iraniana exibiu nesta sexta-feira, 30, as imagens de um dos marinheiros, identificado como Nathan Thomas Summers, reconhecendo que o grupo entrou "ilegalmente" no país e afirmando que "tudo o que os iranianos querem é um pedido de desculpas" por parte do governo britânico.Em resposta à exibição da entrevista, o ministério de Relações Exteriores do Reino Unido qualificou de "escandalosa" a difusão do novo vídeo pela televisão iraniana. "Utilizar nosso pessoal militar para o propósito de fazer propaganda é escandaloso", declarou um porta-voz britânico. A captura dos britânicos ocorreu na sexta-feira passada, 23. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, exigiu que o Reino Unido deve se desculpar com seu país, algo que Londres se nega a fazer por enquanto. Ambos os países divulgaram imagens por satélite e mapas para demonstrar que têm razão na disputa: o Reino Unido insiste em dizer que estava em águas iraquianas, ao passo que o Irã acusa invasão no seu território.As imagens divulgadas nesta sexta-feira se somam a outros vídeos dos militares transmitidos nos últimos dias. A televisão iraniana divulgou na quarta-feira imagens do grupo de militares que os mostrava em aparente bom estado, assim como uma entrevista e uma carta supostamente escrita por Faye Turney, única mulher do grupo, na qual ela reconhecia que, no transcurso da missão, o grupo tinha entrado por erro em águas iranianas.Na quinta-feira, 29, também foi divulgada uma segunda carta aparentemente escrita por Turney, de 26 anos e mãe de uma menina, na qual pedia, entre outras coisas, a retirada das tropas britânicas do Iraque. O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, qualificou a difusão das imagens de "vergonha", enquanto a ministra de Assuntos Exteriores, Margaret Beckett, qualificou o uso da militar para um ato de propaganda de "intolerável e cruel".União Européia também negociaO chefe da diplomacia européia, Javier Solana, e a ministra de Relações Exteriores britânica pediram nesta sexta-feira que os militares britânicos sejam liberados "o mais rápido possível e sem condições prévias". Solana qualificou a captura dos 15 britânicos como "um grave erro". Ao chegar ao hotel de Bremen (Alemanha) onde haverá uma reunião informal de dois dias dos ministros de Exteriores da União Européia (UE), ele afirmou: "os militares têm que ser liberados o mais rápido possível e sem precondições", disse o alto representante da UE, numa mensagem reiterada em termos idênticos pelo Reino Unido.Os chanceleres devem aprovar ainda nesta sexta-feira uma declaração de apoio ao Reino Unido na crise com o Irã, assinalou a ministra britânica, que agradeceu a solidariedade mostrada nos últimos dias pela UE. Seu colega sueco, Carl Bildt, ressaltou a "seriedade e a gravidade" da situação ao chegar à reunião.Por sua parte, Solana disse "não entender" a posição dos iranianos, e expressou sua plena confiança em que a embarcação dos britânicos "se encontrava em águas iraquianas". Londres disse que tem provas que refutam as alegações de Teerã de que os militares tinham entrado em águas territoriais do Irã.

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