Quirinale Press Office / AFP
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Ex-presidente do BC da Europa aceita oficialmente ser primeiro-ministro da Itália

Economista Mario Draghi obteve apoio de quase todos os partidos políticos para formar um governo de unidade que tire o país da emergência econômica e sanitária 

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2021 | 13h48
Atualizado 12 de fevereiro de 2021 | 17h05

ROMA – O ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE) Mario Draghi informou nesta sexta-feira, 12, ao presidente da Itália, Sergio Mattarella, que assegurou o apoio necessário para formar um novo governo no país. Ele afirmou que estava estava pronto e revelou um gabinete com uma mistura de tecnocratas e políticos de sua ampla coalizão.

Assim, o economista aceitou oficialmente o cargo de primeiro-ministro após ter conquistado o apoio de quase todos os partidos políticos para formar um governo de unidade que tire o país da emergência econômica e sanitária. 

Ele compareceu ao Palácio Quirinal para se reunir com o presidente e assumir o cargo, conforme previsto pela Constituição. Draghi substitui Giuseppe Conte, que teve de renunciar ao cargo após perder o apoio do partido Itália Viva, e deixar de ter maioria parlamentar. 

O novo primeiro ministro – que ganhou o apelido de “Super Mario” por seu papel na crise da dívida europeia em 2012 – deverá agora submeter-se ao voto de confiança no Parlamento na próxima semana.

Após uma semana de consultas, quase todos os principais partidos de todo o espectro político prometeram seu apoio a Draghi, e figuras proeminentes desses grupos foram nomeados ministros. 

Luigi Di Maio, líder do Movimento 5 Estrelas, permanecerá como ministro das Relações Exteriores, enquanto Giancarlo Giorgetti, uma figura importante do partido da Liga, será ministro da Indústria. Andrea Orlando, do Partido Democrata de centro-esquerda, será ministra do Trabalho. 

No entanto, alguns cargos importantes foram para tecnocratas não afiliados, incluindo Daniele Franco, diretor-geral do Banco d'Itália, que foi nomeado ministro da Economia, e Roberto Cingolani, físico e especialista em TI, que recebeu a nova função de ministro da transição verde.

A Itália viveu uma delicada crise política em fevereiro, em plena pandemia, com a pior recessão da história recente. Draghi ouviu líderes de todos os partidos nesta semana, assim como representantes de movimentos sociais e de organizações de defesa do meio ambiente, com o objetivo de formar um governo heterogêneo, de unidade e sem colorações políticas. 

A Itália se apróxima da marca de 100 mil mortes por covid-19 e registrou uma das maiores quedas no Produto Interno Bruto (PIB) na zona do euro em 2020, com uma perda de 8,9%. O país é a terceira economia da União Europeia. Para reativar a economia, o país vai contar com um fundo de € 200 bilhões euros aprovado pela UE. 

Parcelas significativas desses recursos devem financiar uma reforma da matriz econômica italiana para um modelo que leve em conta o meio ambiente. Draghi já adiantou, de forma indireta, que criará um ministério da Transição Ecológica, uma exigência de setores da sociedade e dos militantes antissistema. A nova pasta terá o objetivo de fomentar uma economia ecológica. 

O país acumulou um dívida que, no fim de 2020, representava 158% do PIB italiano. O país espera acelerar a campanha de vacinação contra o coronavírus, afetada por atrasos na distribuição de doses. 

Aos 73 anos, Draghi é conhecido por ter um perfil discreto. Católico praticante, é considerado próximo do papa Francisco./ REUTERS, AP E AFP

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