Mario Monti elogia Bersani e sinaliza coalizão na Itália

Premiê demissionário afirma que o líder de centro-esquerda tem 'as qualidades necessárias' para o cargo

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2013 | 02h01

Dois dias depois de rejeitar um governo de coalizão com o Partido Democrático (PD), o primeiro-ministro demissionário da Itália, Mario Monti, quarto nas pesquisas eleitorais, fez ontem um gesto que pode ser decisivo para a vitória do ex-comunista Pier Luigi Bersani nas eleições de domingo e segunda.

Em entrevista, o atual chefe de governo afirmou que "Bersani tem as qualidades necessárias"para ser primeiro-ministro, abrindo a perspectiva de uma coalizão de centro-esquerda. As declarações foram interpretadas por analistas como um sinal de que um acordo está próximo.

Monti indicou a aproximação em entrevista à RadioAnch'io, quando foi questionado sobre seus rivais. "Bersani pode governar bem. Mas, além de sua atuação nos ministérios, que ficaram no passado, ele ainda não foi testado, e será posto à prova como primeiro-ministro", disse, antevendo a vitória do ex-comunista.

Horas depois, Monti voltou a elogiar seu rival, criticando os partidos que ele representa. "Bersani tem as qualidades necessárias, mas é difícil acreditar que sua coalizão possa governar de forma eficaz para fazer uma Itália mais justa e dinâmica."

Monti, preferido dos mercados financeiros e de parceiros europeus como a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, é candidato à própria sucessão, mas de acordo com a média das últimas cinco pesquisas de opinião sua aliança centrista reuniria 13,7% das intenções de voto, em quarto lugar. À sua frente estariam Bersani, o favorito, com 34,9% da preferência, Silvio Berlusconi, que foi premiê por três vezes e é líder de uma coalizão de centro, direita e extrema direita, com 28,9%, e o comediante Beppe Grillo, radical antiausteridade e antieuro, que soma 16,4% nas pesquisas.

Essa conjuntura aponta para a formação de uma maioria do Partido Democrático (PD) na Câmara dos Deputados, mas não no Senado. Isso vem reforçando os apelos por uma aliança de centro-esquerda, entre Bersani e Monti. Ontem, Beatrice Biagini, presidente da Assembleia do Partido Democrático no Exterior, disse ao Estado que essas discussões estão em curso. "O sistema eleitoral italiano é feito de forma que sejamos obrigados a buscar acordos de coalizão após as eleições. No Senado, o resultado depende das regiões, e em cada uma delas haverá vencedores de direita e de esquerda", explicou.

Ainda de acordo com Beatrice, Bersani pretende aplicar um projeto reformista para fortalecer a economia da Itália, o que exige uma ampla maioria nas duas câmaras do Parlamento. "Bersani deverá governar com uma forte maioria no Parlamento, pois as reformas que o país precisa exigem mudar a Constituição. Seria grave fazê-lo com uma pequena maioria", entende a executiva, que vê poucas chances de alianças com outros candidatos de esquerda, como o magistrado Antonio Ingroia ou o ator Beppe Grillo.

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