Evgeniy Maloletka/AP
Evgeniy Maloletka/AP

Ucrânia acusa Rússia de descumprir trégua pela 2ª vez e cessa nova tentativa de retirada de civis

Autoridades ucranianas planejavam retirar 215 mil pessoas de Mariupol

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2022 | 08h39

MARIUPOL - Ataques russos interromperam pela segunda vez os planos de retirada de civis da cidade de Mariupol, no sudeste da Ucrânia, disse o ministro do Interior do país, Anton Gerashchenko. "A segunda tentativa de um corredor humanitário para civis em Mariupol terminou novamente com bombardeios dos russos", escreveu em sua conta no Telegram. 

A Prefeitura de Mariupol, no sudeste da Ucrânia, havia anunciado neste domingo, 6, uma nova tentativa de retirada de civis a partir das 12h (horário local, 8h no Brasil), um dia após a Rússia ser acusada de descumprir um acordo de cessar-fogo na região.

"A retirada de civis em Mariupol começa às 12h", havia dito a Câmara Municipal da cidade portuária m sua conta oficial do Telegram. De acordo com o Centro de Coordenação da Administração Civil-Militar Regional de Donetsk, Pavel Kirilenko, o cessar-fogo humanitário seria estabelecido neste domingo entre as 10h e as 21h (horário local, 5h e 16h no Brasil).

A retirada da população da cidade, de 450 mil habitantes, seria feita a partir de três pontos por autocarros municipais e, seguindo o traçado previsto, em transporte privado, seguindo os autocarros em coluna, indicou a Câmara Municipal de Mariupol.

A rota planejada incluía as cidades de Mariupol, Portovskoye, Mangush, Republic, Rozovka, Bilmak, Pologi, Orejov e Zaporiyia.

No sábado, 5, a Rússia foi acusada de descumprir um acordo de cessar-fogo que contemplaria as cidades de Mariupol e Volnovakha. O governo ucraniano planejava retirar 215 mil pessoas da região.

Forças russas teriam cercado a cidade, impedindo o funcionamento dos corredores humanitários, disseram autoridades de Mariupol. Em um comunicado, a prefeitura da cidade pediu aos moradores que retornassem aos abrigos da cidade e aguardassem mais informações sobre o plano de retirada.

Mais cedo, o Ministério da Defesa russo havia divulgado a abertura de corredores humanitários próximos das duas cidades, que estão cercadas por tropas de Moscou. Em Mariupol, civis seriam autorizados a sair durante uma janela de cinco horas, segundo as autoridades da cidade.

Crise humanitária

Agências de ajuda alertam para uma crise humanitária que se desenvolve à medida que alimentos, água e suprimentos médicos se esgotam e refugiados afluem para o oeste da Ucrânia e países europeus vizinhos. 

Em Mariupol, não há água, calor ou eletricidade e os alimentos estão acabando, disse o prefeito Vadim Boichenko. "Estamos simplesmente sendo destruídos", afirmou. Jornalistas da Associated Press testemunharam médicos fazendo tentativas mal sucedidas de salvar a vida de crianças feridas, farmácias vazias e centenas de milhares de pessoas enfrentando escassez de comida e água em clima congelante na cidade, que registrou neste domingo o quinto dia de bombardeios das tropas russas. 

Reuniões anteriores foram realizadas em Belarus e levaram ao fracasso do acordo de cessar-fogo para criar corredores humanitários para a evacuação de crianças, mulheres e idosos de cidades sitiadas. Putin continuou a culpabilizar a liderança ucraniana pela guerra e criticou sua resistência à invasão. Ele disse que se eles continuassem a resistir, "Eles estão questionando o futuro do Estado ucraniano". /EFE

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