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Marqueteiro ajuda a transformar Obama em fenômeno político

O estrategista David Axelrod detectou desejo de mudança e apostou no senador quando ele ?não era ninguém?

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

16 de fevereiro de 2008 | 00h00

Por trás do sucesso da campanha do senador Barack Obama está David Axelrod, um marqueteiro político que se especializou em tornar candidatos negros atraentes para grandes fatias do eleitorado. Axelrod, com seu bigode farto e jeitão informal, é considerado o melhor estrategista político fora do eixo Washington-Nova York.Operando a partir de Chicago, ele coordenou a campanha de Deval Patrick em 2006, primeiro governador negro de Massachusetts, atuou na campanha de reeleição de Harold Washington, primeiro prefeito negro de Chicago, e do próprio Obama, quando ele foi eleito senador, em 2004. Como prova de que não é bom apenas com políticos negros, Axelrod também já trabalhou para outros três pré-candidatos à presidência, todos brancos: Hillary Clinton e Chris Dodd, também quando concorreram ao Senado; e John Edwards, na campanha presidencial de 2004. "Axelrod é o que eu chamo de uma banda de um homem só - ele é bom de fazer campanhas, formular a mensagem, fazer os anúncios de TV e escrever discursos", diz Paul Green, diretor do instituto de política da Roosevelt University e especialista em campanhas políticas. "Ele é um estrategista brilhante", descreve Green, que conhece Axelrod há mais de 20 anos e foi co-autor de um livro com Obama.Segundo um coordenador de campanha democrata, Axelrod é um sujeito de princípios, "mas não é madre Teresa de Calcutá". Ele ganha, e muito bem, nas campanhas. Recebeu US$ 1 milhão da campanha de Obama até agora (o que não é muito, comparado com os US$ 4,3 milhões de Mark Penn, marqueteiro de Hillary Clinton). Ele traz consigo a "república de Chicago" para o centro do marketing político americano. Dos 200 assessores de Obama, cerca de 100 são de Chicago.Axelrod apostou em Obama quando o candidato resolveu concorrer ao Senado contra candidatos muito mais conhecidos e bem financiados. "Axelrod foi essencial para dar seriedade ao início da trajetória nacional de Obama", diz Green. SEGREDOA combinação de mensagem certeira e organização eficiente explicam o sucesso da campanha de Obama. A capacidade de arrecadar recursos e animar voluntários para trabalharem duro pelo candidato estão no centro dessa estratégia. Mas é a mensagem bem sintonizada que vem fazendo de Obama um fenômeno. Axelrod teve a sensibilidade de detectar o desejo de mudança versus o status quo. E Obama era o candidato ideal para personificar a inovação. "Mark Penn é um especialista em pesquisas eleitorais. Axelrod é um estrategista", diz Michael Fauntroy, professor da George Mason University e especialista em questões raciais na política americana. "As campanhas de Hillary e Obama são um reflexo da formação de seus coordenadores."Axelrod, nova-iorquino de 52 anos, é um jornalista arrependido. Mudou-se para Chicago em 1972, para cursar a Universidade de Chicago. Dois dias após se formar, foi contratado pelo Chicago Tribune, onde teve ascensão meteórica - tornou-se colunista de política aos 27 anos.Em 1984, desistiu do jornalismo e entrou na campanha do político Paul Simon ao Senado. Daí não parou mais. David Wilhelm, que trabalhou com ele na época, diz: "Uma das razões de Axelrod ser tão bem-sucedido é que ele acredita. Ele é um idealista que se importa com seus candidatos e suas posições."Segundo fontes, Axelrod não se dá com Penn, o marqueteiro de Hillary, e não deixa de dar suas alfinetadas: "O público dá valor à honestidade, à franqueza. As pessoas não querem alguém que consulta seu especialista em pesquisas antes de cada decisão", disse o estrategista à revista Time. Mas não se pode dizer que o discurso de Obama também não seja ensaiado e repetitivo - ele costuma usar teleprompter em seus comícios. O uso da mensagem de "esperança" do senador é muito parecido com o que elegeu Deval Patrick. Foi Axelrod que inventou o mote Yes, we can ("Sim, podemos", por sinal também usado na campanha de Patrick).Em termos de políticas, os dois pré-candidatos democratas pouco divergem. Mas é a visão do senador que está conquistando eleitores. Obama é o futuro, Hillary é o passado. Foi com essa mensagem que o marqueteiro de Obama levou seu candidato a vencer em 23 das prévias - diante de 14 de Hillary.Enquanto isso, a campanha de Hillary mira desesperadamente nas primárias de Ohio e Texas para deter o embalo do senador. Hillary sofreu oito derrotas seguidas desde a Superterça. Apesar de a ex-primeira-dama garantir que tudo vai bem e s Estados grandes é que interessam, há sinais claros de crise em sua campanha.Hillary trocou a cúpula da campanha - saiu a coordenadora Patti Solis Doyle e seu vice, entraram Maggie Williams e seus assessores.

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