Marrocos culpa Argélia pelo entrave sobre o Saara Ocidental

ONU definiu um enviado especial para a região para preparar uma nova negociação entre os países envolvidos

Efe,

12 de fevereiro de 2010 | 04h01

O ministro das Relações Exteriores do Marrocos, Taieb Fasi Fihri, afirmou na quinta-feira, 11, que a Argélia é culpada pela estagnação do processo de negociação com a Frente Polisário sobre o futuro do Saara Ocidental.

 

Fasi Fihri, em entrevista coletiva após uma reunião de dois dias auspiciada pela ONU, culpou o país vizinho e o movimento independentista saaráui pela falta de progresso na resolução do conflito na ex-colônia espanhola.

 

"A chave neste assunto do Saara são as relações entre Marrocos e Argélia", disse o ministro marroquino, que liderou a delegação de seu país nas conversas com o Polisário realizadas na quarta e na quinta-feira em uma localidade dos arredores de Nova York.

 

A reunião informal, a segunda depois da de agosto passado em Viena, terminou sem uma aproximação de posturas, mas com o compromisso de prosseguir o diálogo.

 

Também foi definido que o enviado especial da ONU para o Saara, Cristopher Ross, viajará nas próximas semanas à região para preparar um novo encontro. Fasi Fihri disse que espera que Ross consiga, nessa viagem, "sensibilizar" o Governo argelino para que abandone seu "imobilismo" na melhora das relações com Rabat e nas negociações sobre o Saara.

 

O chanceler marroquino acusou Argel de estar por trás de "uma campanha" para desacreditar o Marrocos, na qual incluiu o caso de Aminatu Haidar e a exigência de a ONU supervisionar a situação dos direitos humanos no território.

 

Aminatu Haidar, uma ativista saaráui, foi expulsa no final do ano passado de El Aaiun, mas posteriormente foi permitido que ela voltasse ao território após uma greve de fome.

 

Fasi Fihri reiterou que a proposta marroquina de conceder a autonomia ao Saara Ocidental é a única solução "crível" ao conflito, enquanto desprezou a posição do Polisário a favor de um plebiscito no qual a independência seja uma das opções.

 

"Marrocos fez seus deveres e propôs uma nova ideia, que é uma proposta que cumpre com a legalidade internacional e o princípio de autodeterminação", acrescentou.

 

As duas partes realizaram quatro rodadas de negociação formais desde que o Conselho de Segurança os orientou, em 2007, a retomar o diálogo direto, mas o processo se mantém estagnado há quase dois anos.

 

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