Marroquino preso no Brasil alerta sobre novos ataques terroristas

O marroquino Gueddan Abdel Fatha, preso em São Paulo e que antecipou para a Polícia Federal os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, escreveu uma nova carta destinada à embaixada dos Estados Unidos em Brasília, na qual revela planos terroristas em curso, que deverão ser executados nos próximos dias. A Agência Estado apurou que alguns dos alvos narrados na carta estariam em países da América do Sul. A assessoria de imprensa da embaixada dos Estados Unidos confirmou hoje a existência da carta, mas não revelou detalhes. "A embaixada não se pronuncia sobre investigações em curso", afirmou a assessoria. "Problemas de segurança estão sendo tratados com absoluto sigilo." A carta foi recebida pela advogada do marroquino, Edite Pimenta, que a encaminhou para as autoridades. "A carta está sendo traduzida, mas fui instruída a não me pronunciar sobre elas", afirmou a advogada. O marroquino, de 27 anos, passou a ser tratado como informante privilegiado no dia seguinte aos atentados de 11 de setembro. Cinco dias antes dos ataques ao World Trade Center, ele entregou três cartas para sua advogada Edite, solicitou que ela as encaminhasse à Polícia Federal e pediu a presença de representantes dos consulados de Israel e dos Estados Unidos, na Casa de Detenção, onde se encontrava preso. Na carta, Fatha alertava sobre explosões que estariam prestes a acontecer nos Estados Unidos. Os alertas do marroquino foram tratados com reserva, mas no dia seguinte à explosão ele passou a ser tratado como informante privilegiado e foi transferido para o Centro de Observação Criminológica, no Carandiru, presídio com condições especiais de segurança. Fatha foi preso no Brasil, há oito meses, por uso de documento falso e tentativa de assalto. Ele revelou ao delegado César Toselli, da Polícia Federal, que o interrogou depois dos atentados, que entrou no Brasil com passaporte falso, para se juntar a um grupo de militantes islâmicos, que atuariam na região de Foz do Iguaçu, no Paraná. Ele afirmou que se afastou do grupo quando percebeu que tinham intenções radicais. Para voltar ao seu país, tentou realizar um assalto no Brasil e acabou preso.

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