Marroquino teria dito em 2000 que WTC seria atacado

Ao apresentar as acusações contra o marroquino Munir el-Motassadeq - suspeito de ser o líder da "célula de Hamburgo" da organização terrorista Al-Qaeda -, o Procurador-Geral da Alemanha, Kay Nehm, revelou detalhes de que os terroristas planejavam atacar o World Trade Center, em Nova York, entre abril e maio de 2000. "A idéia de usar um avião para atacar os EUA se desenvolve, pelo menos, desde outubro de 1999, possivelmente inspirada em planos de outros integrantes da rede Al-Qaeda", disse Nehm. Motassadeq, de 28 anos, foi detido em Hamburgo dois meses antes dos ataques de 11 de setembro e é acusado pela promotoria de cumplicidade na morte das mais de 3 mil vítimas dos atentados e de integrar uma organização terrorista. Os promotores esperam que o julgamento, por uma corte federal de Hamburgo, ocorra ainda este ano. De acordo com os argumentos apresentados por Nehm, "a célula de Hamburgo" era formada por sete estudantes de vários países árabes que dividiam um apartamento na cidade depois de terem se instalado na Alemanha entre 1992 e 1997. Entre os sete, estavam três seqüestradores dos atentados de 11 de setembro: o egípcio Mohamed Atta - considerado o líder das operações terroristas contra os EUA -, o libanês Ziad Jarrah e Marwan al-Shehhi, natural dos Emirados Árabes. Em 2000, segundo Nehm, Al-Shehhi mencionou especificamente as torres do World Trade Center durante uma conversa com um bibliotecário da cidade. "Haverá milhares de mortos. Então vocês se lembraram de mim", disse. Motassadeq administrava a conta bancária de Al-Shehhi na Alemanha, por meio da qual ele financiou a estada nos EUA e os cursos de pilotagem aos quais os seqüestradores de 11 de setembro se submeteram. Em novembro de 1999, Atta, Al-Shehhi, Jarrah e outro membro da célula de Hamburgo, Ramzi Binalschib, viajaram para o Afeganistão. Outro grupo, que incluiria Motassadeq, viajou para o Afeganistão em maio de 2000 e permaneceu num campo de treinamento da Al-Qaeda perto de Kandahar até agosto daquele ano, segundo a promotoria. Os últimos detalhes dos atentados de 11 de setembro foram acertados num encontro na Espanha. Motassadeq rejeitou as acusações e se declarou inocente. Ele foi preso em julho de 2001, um mês depois de ter seu nome incluído numa lista de 370 terroristas procurados pelo FBI.

Agencia Estado,

29 Agosto 2002 | 19h47

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