Martelly tentou recriar Exército

Bastidores: Guilherme Russo

O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2013 | 02h04

Uma das principais plataformas da campanha de Michel Martelly para a presidência do Haiti foi a recriação do Exército do país, dissolvido em 1994 pelo ex-presidente Jean-Bertrand Aristide, após o governo americano contribuir para seu retorno ao país, depois do primeiro golpe de Estado que ele sofreu, em 1993, ameaçando invadir a nação caribenha.

Ao assumir o cargo, Martelly passou a falar com governos de diversos países da região, entre eles o do Brasil, com a intenção de obter fundos para a restituição do Exército haitiano, mas o receio de que a nova corporação fosse usada para compor uma espécie de guarda pretoriana do líder restringiu o apoio internacional à medida. Em junho, o presidente conversou com o ministro da Defesa brasileiro, Celso Amorim, a respeito do assunto, durante a Rio+20. Meses antes, em fevereiro, o haitiano havia escutado da presidente Dilma Rousseff que a formação de um novo Exército haitiano se trata de um "assunto interno" do Haiti.

Depois da conversa com Amorim, Martelly mudou seus discurso e deixou de falar de uma força armada. O Brasil concordou, então, em mandar uma comissão ao Haiti para avaliar a possibilidade da formação de um corpo de "engenharia militar" no país caribenho - e um relatório sobre o tema está atualmente em análise pela chancelaria e o ministério da Defesa brasileiros.

Martelly afirma que as missões da futura corporação seriam "proteger os interesses do país na costa e na fronteira, combater a deflorestação e começar a reflorestação, lutar contra o narcotráfico e poder reagir em casos de catástrofes como terremotos ou furacões". "Repare que não falo de força armada, mas apenas de uma força", disse ao Estado na sexta-feira.

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