Luka Gonzales/ AFP
Luka Gonzales/ AFP

Martín Vizcarra se manifesta sobre impeachment: 'obviamente, dói'

Presidente deposto do Peru fez pronunciamento na noite de segunda-feira, 9, e falou com repórteres e apoiadores após a decisão do Congresso que decidiu por seu afastamento do cargo

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2020 | 08h42

LIMA - Após ter o impeachment confirmado pelo Congresso do Peru, Martín Vizcarra falou com a imprensa na noite de segunda-feira, 9, em frente a sua casa, localizada no bairro de San Isidro, em Lima. Vizcarra negou as acusações que motivaram o processo que levou ao seu impeachment e se disse magoado com o desfecho do julgamento no Congresso.

"Obviamente, isso me dói, assim como a todos os peruanos", afirmou Vizcarra.

Protestos foram realizados nas ruas de Lima, em apoio ao presidente, após a decisão do Congresso. Confrontos com a polícia foram registrados em determinados locais. Cartazes com escritos como "Não à vacância", "Só Vizcarra me representa" e " Congresso podre" foram levantadas pelos manifestantes. O presidente sempre teve mais apoio popular que de grupos políticos do país.

Antes de falar com os repórteres em frente a sua casa, o ex-presidente fez um pronunciamento no Palácio de Governo, acatando a decisão do Congresso. "Hoje deixo o Palácio de Governo, hoje volto a minha casa, apesar de haver inúmeras recomendações para que atuemos através de ações legais para impedir esta decisão", declarou durante o discurso, alternando momentos relaxados e informais e de comoção.

Depois de deixar o Palácio do Governo, Vizcarra chegou em sua casa por volta da meia-noite de segunda-feira em um veículo escoltado por policiais. Do lado de fora, dezenas de pessoas - a maioria moradores do bairro - o aplaudiram e pediram para que ele lutasse para permanecer no cargo.

Vizcarra se disse surpreso com a decisão do Congresso. "Os parlamentares são representantes do povo e têm que votar com base no que diz o povo", afirmou o ex-presidente.

Durante a madrugada, o presidente deposto fez uma publicação nas redes sociais agradecendo ao povo peruano pelo apoio e disse estar com a consciência tranquila.

"Querido povo peruano: durante esses dois anos e oito meses de governo, vocês foram meu maior suporte e fortaleza. Juntos construímos esse caminho, apesar da adversidade. Vou-me com a consciência tranquila, com a cabeça erguida e o dever cumprido. Até outra oportunidade", escreveu.

O impeachment

O Congresso peruano depôs Vizcarra do cargo na segunda-feira, com 105 votos a favor, após debater a chamada "moção de vacância" movida contra o presidente por acusações de que ele cometeu atos de corrupção quando era governador da província de Moquegua (2011- 2014).

A resolução parlamentar declarou a "incapacidade moral permanente do presidente", razão pela qual será aplicado "o regime de sucessão estabelecido na Constituição", que entrará em vigor nesta terça-feira, 10, após ser comunicado ao presidente.

Como Vizcarra não tem vice-presidente, agora a presidência peruana caberá a Manuel Merino, presidente do Congresso e integrante do grupo político de centro-direita Ação Popular (AP), que anunciou que será empossado na manhã desta terça. Porém, a decisão do Congresso gerou surpresa, confusão e indignação em seu país, com protestos de cidadãos, além da rejeição de políticos, constitucionalistas, analistas e até representantes da Igreja Católica./ EFE

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